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“O Mar não salga, ou a Terra não se deixa salgar”

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O PS ganhou as eleições, perdão! A Abstenção ganhou as eleições.

Estas eleições terão sido certamente das mais entusiasmantes que existiram nos últimos tempos, com as contagens noite dentro, incertezas, 3 projecções com realidades totalmente diferentes.

O que deixa marca nestas eleições?

O CDS-PP perde metade dos seus deputados e Assunção Cristas demite-se. Rui Rio será enérgico para explicar as razões de fracasso e aí ser tenaz, mas não ser bom para fazer campanha?

PS ganha as eleições, mas não convence o suficiente, as projecções davam o mínimo de 105 deputados teve 106, faltam revelar os 4 deputados da diáspora, que tanto podem ir para o PS como para o PSD, ainda assim, não farão grande diferença.

CDU continua a sua queda, perdendo 5 deputados, entre eles Heloísa Apolónia, a líder do Partido Ecologista os Verdes.

Bloco de esquerda teve menos votos que em 2015, mas segurou o número de deputados no Parlamento.

PAN duplica o número de votos e consegue eleger um total de 4, inclusive a polémica cabeça-de-lista de Setúbal, que marcou presença no Podcast Conversa.

Por último novas entradas: Iniciativa Liberal elege João Cotrim de Figueiredo, Joacine Moreira foi eleita pelo Livre, e a extrema-direita entrou na Assembleia da República, fazendo assim parte dos 230 deputados, André Ventura acha que 100 deputados eram deputados mais que suficientes, quero apenas dizer que se assim fosse, nunca ele seria eleito.

O que muda? A esquerda matém-se, todavia, o que importa aqui é a direita.

A Direita estava a passar e agora entrou numa clara crise de identidade. PSD lançou soundbites péssimos no que toca à sua ideologia, dizendo que não era de Direita, Assunção Cristas não foi capaz de ser aquilo que queria ser: a líder da Direita portuguesa.

Temos assim a entrada da Iniciativa Liberal e do Chega, que trazem perspectivas diferentes de direita, no primeiro caso da economia, no segundo caso de uma questão de valores e de nacionalismo. A Direita vai mudar muito em Portugal nos próximos tempos. Mas está numa encruzilhada! Ou se extrema como acontece na Europa, ou vai-se a agarrar ao centro, dando espaço para partidos como o Chega crescerem, sob o pretexto de serem a “verdadeira direita”.

Vamos ver o que o Livre vai trazer de novidade. Rui Tavares falou, estranho não ser a própria Joacine a falar, que agora é que o Socialismo Ecologista entrava no Parlamento, acho que o Bloco de Esquerda tinha como bandeira ser Socialista Ecológico, bom a verdade é que todos agora são ecologistas, ou ecologistas simplórios.

Este Parlamento garante, para aqueles que são amantes da Política boas sessões de debate, será que a Iniciativa Liberal também vai ter um marketing agressivo no Hemiciclo?

Mas o que importa aqui ainda falar é do Chega, o Chega de André Ventura não elegeu apenas um deputado, conseguiu em praticamente todos os distritos manter a bitola de 2% das intenções de voto, não é um movimento passageiro, é um movimento que saiu da terra, tem agora espaço, aqueles que o consideram inimigo público da Democracia, só têm que dar espaço para ele falhar e voltar a ser enterrado. Sejam responsáveis e protejam a Democracia.

Por fim a Abstenção, escrevi neste espaço dois artigos para que a Abstenção diminuísse, uso muito Padre António Vieira: “Ou o mar não salga, ou a terra não se deixa salgar”.

Fala-se no voto electrónico. Não quero! Não quero que depois venham as suspeitas de piratas informados e desculpas de mau perdedor.

Fala-se de voto obrigatório. É contraditório, sim eu sei, mas na Bélgica e no Luxemburgo, quem não vota, não recebe subsídios do Estado. O que tem toda a lógica, vive-se à conta do Estado, mas não participamos nele. Realidade estranha.

Os políticos são maus, sim nós sabemos que não têm qualidade, mas temos que nos fazer ouvir, caso contrário, nada fazemos e nada evoluímos. Precisamos que todos sejam mais explícitos naquilo que dizem e querem.

Enquanto o mar não salgar, ou a terra não se deixar salgar, vamos continuar a ter uma política que não deixa de ser a espuma dos dias e assim Portugal adormece neste embalo venenoso, talvez quando acordarmos será tarde demais…

 

Texto de opinião de Cláudio Fonseca.
O autor não escreve seguindo as regras do o Acordo Ortográfico de 1990. Estando este texto de opinião escrito ao abrigo do Acordo Ortográfico de 1945.

Nota Biográfica:

Cláudio Fonseca tem 24 anos e é licenciado em História pela FLUL e mestrando em Ciência Política no ISCSP.
É diretor do Podcast Conversa, um podcast sobre política e actualidade. O projeto existe há quase três anos e é o único podcast lusófono premiado Internacionalmente.
Cláudio Fonseca é ainda fundador da Plataforma Podcasts Portugal.

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