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Associativismo

Os novos desafios da Academia de Lisboa

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A académica de Lisboa está a passar atualmente por diversos desafios e realidades que não se verificavam há várias dezenas de anos, nomeadamente desde a Revolução dos Cravos de 1974, onde os estudantes foram obrigados a ficar em casa em recolhimentos obrigatórios de forma a evitar o perigo da rua. À altura vigorava um clima de pós-revolução… hoje estamos também perante as condições adversas adjacentes à situação pandémica que nos assombrou a todos.

Todas as ideias do passado foram pensadas, desde as passagens administrativas, a revolução de mudar o ensino presencial, já em 1974, não era possível o ensino digital como hoje, daí as diversas passagens administrativas efetuadas e conhecidas da altura. Nos dias que correm, é não só possível ter um ensino mais moderno, mas também um ensino muito mais tecnológico; e se esta pandemia nos trouxe algo de positivo foi certamente a forma de ver nas adversidades uma oportunidade. E é também por isso que está mais que na hora de repensar o ensino no seu todo e adaptar as matérias lecionadas ao mercado laboral e ao mundo atual.

No entanto, apesar dos novos desafios, esta pandemia ressuscitou desafios antigos. Nestes últimos meses sentiram-se novamente as dificuldades de diversos estudantes, que ao estarem deslocados se viram impedidos de manter o foco nos estudos pois nas suas áreas de residência, o acesso à internet não é ainda um dado garantido, sendo assim impossível acompanhar o ensino online.

É neste contexto que a Academia de Lisboa tem e deve pensar em inovar de forma a ir ao encontro dos seus estudantes, pois com esta crise pandémica, surgiu também uma crise socioeconómica sem precedentes, o que culminou no aumento das barreiras no acesso ao ensino superior.

Os seus custos inerentes, nomeadamente a propina, as mensalidades das I.E.S privadas, os emolumentos, e em especial a habitação, constituem atualmente um peso gigante nos orçamentos familiares, e muitos potenciais estudantes do ensino superior vêm-se assim obrigados a abandonar os seus estudos ou a desistir da ideia de frequentar o ensino superior.

Neste contexto, é imperativo que a tutela e o Ministério do Ensino Superior, Ciência e Tecnologia, ao receberam os já conhecidos fundos da União Europeia, não se esqueçam dos seus jovens e dos estudantes do ensino superior, que investem tempo e dinheiro para estudar em Portugal.

É preciso que sejam gerados mecanismos de apoio de caris geral, e especialmente mecanismos de apoio direcionados à ação social, que deem origem à oferta de mais residências estudantis e mais apoios económicos. Olhando também para o futuro próximo que espera os atuais estudantes do ensino superior, é também importante relembrar que esta será a terceira crise socioeconómica pela qual esta geração irá passar (não só enquanto estudantes, mas especialmente nos anos futuros, quando ingressarem no mercado de trabalho). Existe, por isso, um grande flagelo presente nesta geração, flagelo esse que tem sido esquecido por todos os governos, deixando assim os jovens ao abandono e entregues à sua própria sorte.

É por isto que cada vez mais o associativismo tem de ser a voz ativa não só dos estudantes, mas também de toda uma geração de jovens que acabaram os seus estudos e que, após concluírem a sua formação superior, se sentem desamparados no mundo laboral. Esta realidade afeta os jovens acabados de formar, mas afeta também muito os estudantes do ensino superior.

É nesta sequência que a saúde mental é cada vez mais um assunto na ordem do dia, pois a incerteza de um futuro estável afeta psicologicamente a esmagadora maioria dos estudantes do ensino superior. Além dos motivos mencionados anteriormente, a saúde mental dos estudantes veio a ficar cada vez mais afetada nos últimos tempos, pois a pandemia obrigou a que os estudantes ficassem fechados em casa durante longos períodos.

Em outubro de 2020, a SIC Noticias avançou que quase um terço dos jovens portugueses sofriam de perturbações mentais moderadas ou graves, e isto tem de ser uma preocupação de todos nós. Associação Académica de Lisboa, vê esta problemática como o desafio do século, pois neste momento é notório que podemos, enquanto sociedade, estar a criar uma sociedade futura composta maioritariamente por pessoas com uma saúde mental afetada em grande parte. Desafiamos por isso todos os órgãos autárquicos e governamentais a criarem plataformas e formas de ajuda a todos os jovens que assim o necessitem de forma a mitigar este flagelo.

O futuro passa pelos desafios do presente, e por isso a Associação Académica de Lisboa está presente na perspetivação de um futuro próspero para a nova geração!

Tiago Santos, Presidente da Direção.

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