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Entrevista

4Play: “Prometemos que a segunda temporada vai ser mais ousada e hardcore que a primeira”

Sofia Rebanda

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Depois do sucesso televisivo e online da primeira temporada e findo o contrato com a RTP, a Frame Productions avança com uma campanha de crowdfunding de 50 mil euros para a produção da segunda temporada da 4Play.

O objetivo é tornar-se a primeira série televisiva portuguesa a conseguir financiamento através dos espectadores.

A campanha para a segunda temporada tem como objetivo o valor de 100 mil euros ou mais por parte dos fãs. No final deste crowdfunding, a equipa acredita conseguir o valor estipulado e, dessa forma, chamar a atenção de potenciais parceiros para avançar com a produção da segunda temporada. De qualquer das formas, a Frame Productions admite avançar com um filme da 4Play em vez da segunda temporada, caso o apoio financeiro não seja suficiente.

A Mais Superior esteve à conversa com Tiago Paiva e Pedro Manana, criadores e atores da série 4Play, para perceber qual a essência desta criação e o que podemos esperar da segunda temporada.

 

Comecemos pelo início. Como surgiu o 4Play?

Tiago Paiva (TP): O 4Play surgiu quando tinha 21 anos e estava a viver no Bairro Alto. Tocava violino e andava a tocar pelo país e pelo mundo. Surgiu a ideia de pegar no meu grupo de amigos porque queria criar uma oportunidade própria como ator. Vi o filme Bom Rebelde, onde as personagens criaram um filme para terem a oportunidade deles como atores e eu pensei fazer o mesmo, em criar uma série para eu próprio ter uma personagem. Vi que o mundo da televisão era um meio difícil, um meio fechado, então tentei fazer por mim, toda a gente me chamou maluco porque na altura, há 9 anos atrás, nem sequer se faziam séries em Portugal e eu estava a tentar escrever uma série.

 

De onde veio a inspiração para a estória?

TP: Inspirei-me na estória dos meus amigos (que não posso revelar quem são, para já). Há estórias no 4Play que são verdadeiras, outras que são inspiradas, é tudo misturado. Na altura, falei com o Luís Porto, que é o realizador e um dos sócios da Frame, gostou da minha ideia e começou a escrever comigo. Mais tarde, juntou-se a nós o Jaime Monsanto. Uns meses antes de entregarmos a série junta-se o Pedro Manana. Depois de escrevermos o argumento todo, foi para revisão da Marta Freitas, também atriz no Porto, principalmente por causa das falas femininas, das mulheres, do lado feminino, mas isso só na fase final. Três anos antes de irmos para o ar, tivemos um patrocínio do ActivoBank de dois mil euros para alugar material. Fizemos um episódio piloto e screenings nas cidades do Porto, Coimbra e Lisboa. Numa pontuação de 0 a 10, tivemos 9. Percebemos que as pessoas iam gostar disto. Depois durante dois anos a Laura, a nossa produtora, foi reunindo com os canais até que fechou acordo com a RTP2 e fomos para o ar.

 

A série teve muito sucesso. Estavam à espera desse feedback?

TP: Estávamos à espera desse feedback, mas esperávamos que a RTP fizesse mais publicidade. Na verdade a série acabou por ficar conhecida muito pela divulgação “boca a boca” porque passava em horas tardias, não tinha um horário fixo de transmissão… Mas de qualquer forma as audiências foram boas, criámos bastantes episódios, passámos da RTP2 para a RTP1 e os números foram bons. A série é portuguesa e ainda havia muito estigma por esse motivo, por isso, foi incrível a série ter sido vista por milhares de pessoas.

 

“Fui o primeiro ator a fazer nudez integral numa série em Portugal”

 

Essa divulgação “boca a boca” deveu-se ao facto da série ser diferente e algo diferenciadora?

TP: Houve o “boca a boca” porque as pessoas relacionam-se. A série é muito crua a nível de imagem e linguagem na forma como falamos. Não dizemos asneiras gratuitamente, nem o sexo é gratuito. Nas filmagens e cenas de nudez existe uma forma criativa e com sentido. Não vamos procurar uma asneira só por ter mais piada.

 

Pretendem manter, dessa forma, a autenticidade dos momentos. 

TP: É isso! É tudo autêntico e genuíno. Fui o primeiro ator a fazer nudez integral numa série em Portugal.

 

E sentiste-te à vontade com isso?

TP: Senti. Sinto-me à vontade com tudo, na verdade.

 

O que queriam transmitir com a primeira temporada?

TP: Há uma personagem na série cuja fotografia em que ela está nua é divulgada na internet. Então os amigos dela para a proteger, decidem fazer uma espécie de movimento em que tiram a roupa, deitam farinha no corpo, tiram uma fotografia e publicam no Instagram. Tudo para que a foto dela no meio de muitas desapareça e seja esquecida. Os fãs da segunda temporada fizeram a mesma coisa! Deitaram farinha no corpo e tiraram uma fotografia a dizer que queriam a segunda temporada! Esse movimento de fãs foi muito bonito, não é qualquer pessoa que tira uma foto nua e publica no Instagram.

 

Foi nesse momento que perceberam que a vossa série estava a ter destaque no meio das pessoas?

Pedro Manana (PM): Acho que percebemos que estava a ter destaque quando juntámos as peças todas: dávamos na RTP2 e somos a série mais vista da RTP Play, mesmo sem destaque, sem publicidade, sem nada! É inevitável pensarmos que se tivéssemos um bocadinho mais de divulgação, chegaríamos a muita mais gente.

Tiago Paiva (TP): Começas a ver o sucesso como ator quando sais à rua, começam a pedir fotos e perguntam quando começa a segunda temporada. É uma constante. Os próprios comentários das pessoas vão ao encontro daquilo que nós sempre quisemos, que é representar a vida dos jovens adultos como ela é. Falamos como as pessoas falam, dizemos o que as pessoas dizem, sempre tivemos essa ideia de quebrar tabus e quebrámos muitos.

 

Porquê ter como cenário a cidade do Porto?

PM: Para já há uma questão prática, pois a produtora é do Porto e os criadores da série são do Porto. Depois há muita gente que quer ver coisas diferentes, não tem que ser tudo sempre em Lisboa e acho mesmo que isso contribuiu positivamente para diferenciar a série de outras que existem.

 

“Com esta série vamos dar trabalho a cento e cinquenta pessoas”

 

Falando agora do futuro. Já têm algo planeado para a segunda temporada?

TP: Sim, já temos tudo planeado. Sabemos o que vai acontecer, qual é a estória e para onde queremos ir. Já está tudo delineado e sabemos o que é que queremos, falta-nos agora o orçamento para conseguirmos escrever a segunda temporada. Demoramos cerca de três ou quatro meses a escrever o guião, ou seja, não podemos estar a despender desse tempo da nossa vida para depois o projeto não avançar.  Depois de escrever são sempre dois meses para pré-produção, três meses de filmagens, mais dois meses de pós-produção e sai.

 

Qual é a mensagem que querem transmitir com esta nova temporada?

PM: A mensagem que eu pessoalmente gostava de deixar é que está mesmo nas mãos dos fãs fazerem com que isso aconteça. Não só pelo dinheiro que contribuem diretamente através da campanha, como também, para mostrar às pessoas que decidem e têm poder. Que existem pessoas com interesse em ver mais daquela série. O dinheiro é para a série, caso não atinjamos o valor pretendido, é devolvido às pessoas.

TP: Estas iniciativas podem fazer com que possamos mudar um bocadinho a nossa televisão. É uma oportunidade para as pessoas apoiarem e ajudarem a parte artística do país. Algo quase nada apoiado. Com esta série vamos dar trabalho a cento e cinquenta pessoas.

 

Qual a promessa que deixam aos espectadores para a segunda temporada?

PM: Prometemos que a segunda temporada vai ser mais ousada e hardcore que a primeira.

 

 

 

 

[Fotos: Divulgação]

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