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Entrevista

Nuno Calado: “Este ano arriscámos mais um pouco e vai existir estreias de projectos, até eu estou curioso para ver a máquina a andar.”

Flávia Ramalho

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O Indiegente Live é um espectáculo único que transporta o programa de rádio de Nuno Calado na Antena 3 – “Indiegente” – para o palco.  O “Indiegente Live” era para ter uma única edição mas dado o sucesso, o locutor decidiu avançar para uma segunda em que, mais uma vez, “os artistas se encadeiam uns com os outros, como se fossem elos de uma corrente, tocando temas em nome próprio e em conjunto com outros músicos, sem paragens”.

A primeira edição do Indiegente Live aconteceu em outubro do ano passado, quando se comemoravam os 21 anos do programa de rádio com o mesmo nome onde, ainda hoje, o locutor da Antena 3 dá destaque à música dita alternativa. E Nuno Calado falou com a Mais Superior sobre o programa de rádio e o espetáculo do próximo dia 19 de outubro. 

Mais Superior (MS) – A primeira edição do espetáculo aconteceu, aquando dos 21 anos do programa de rádio “Indiegente”, que dá nome ao evento e que o Nuno comanda, desde o início. Comecemos por aí: o que é que caracterizou o “Indiegente”, ao longo dos 22 anos de existência?

Nuno Calado (NC) – Penso que o que caracterizou o Indiegente ao longo da sua vida foi estar sempre na margem daquilo que acontecia na playlist da Antena3 e sempre que a rádio mudou a sua identidade o programa também se foi adaptando ao que era ser alternativo para a estação. Procurei sempre que se pudessem escutar diversos caminhos possíveis musicais, e não só, em alguns períodos isso foi estendido igualmente a uma forma de pensar através da literatura ou poesia.

MS – Que públicos são estes que procuram o “alternativo”?

NC – Nesse aspecto sou muito marginal, não penso muito nisso, a mim parece-me que são amantes de música, pessoas que procuram algo mais do que aquilo que lhes é dado todos os dias já mais que mastigado e muitas vezes requentado. Na verdade, julgo que existe aqui uma forma de estar, uma questão estética de quem privilegia o produto final em relação ao virtuosismo ou ao tecnicamente perfeito, pessoas que gostam de ser surpreendidas e muitas vezes levadas para fora da sua zona de conforto. Digo isto de uma forma muito genérica porque talvez seja este o denominador comum dos diversos públicos já que o selo “alternativo” é uma espécie de saco de 150 litros onde cabe tudo e mais alguma coisa.

MS – Esta definição de “alternativo” tem mudado ao longo dos tempos? O “alternativo” tem-se vindo a tornar a regra?

NC – Sim, sinto que muito do que era alternativo alguns anos depois passa a ser absorvido pelo “mainstream” isso por via de dois caminhos o tradicional estranha-se e depois entranha-se outras por cedências dos próprios artistas. É igualmente verdade que muitas vezes se diz que o “alternativo” é o novo “mainstream”, se isso for significado de que o público na sua generalidade estiver a consumir melhor música eu voto nisso, no fundo se pensarmos em meia dúzia de nomes das últimas duas décadas para percebermos o que aconteceu torna-se mais fácil perceber as movimentações que surgiram com os anos 90, Nirvana, PJ Harvey, Nick Cave (que até já vinha de trás), White Stripes, Black Keys, Beck, Bjork, The National, Radiohead, etc… todos eles começaram por ser alternativos e conquistaram milhões de seguidores pelo mundo fora.

MS – O “Indiegente Live” teve a sua primeira edição em 2018. Era para ser um evento único. Quando e porquê surgiu a ideia de voltar com uma 2.ª edição?

NC – Sim o Indiegente Live pretendia ser um evento único em duas vertentes: pelo conceito em si, a interacção entre diversos artistas, o tentar que existissem o mínimo de paragens possíveis, na verdade o ideal era mesmo não existisse qualquer paragem entre actuações, de forma a que o que acontecesse naquele dia fosse irrepetível, até pela impossibilidade de conciliar agendas de todos os intervenientes novamente, e também porque a ideia inicial era fazer apenas uma celebração. A primeira parte não foi desvirtuada, a segunda sim porque acabei por ser o último a ser convencido de que podia existir seguimento ao que tinha sido feito no ano passado. Logo na noite do evento, vários músicos disseram-me que sentiam que tinha acontecido ali algo de diferente e que não podia parar por ali, no dia seguinte o Pedro Valente da Azáfama, que deu um contributo incrível para que o Indiegente Live fosse uma realidade, ligou-me a perguntar se já tinha datas para este ano, na verdade até alguns promotores de festivais de grande dimensão ligaram a dizer para continuar, fui sempre dizendo que não poderia fazer outro por uma questão de honestidade, demorei meses a ceder, penso que o fiz por algumas razões a começar logo por achar que o conceito não se tinha esgotado ali. Por ter sido uma noite fantástica de camaradagem entre os artistas. Por último, por achar que o público poderia ter vontade de ver mais, por muitos terem sido privados da primeira edição por causa do furacão Leslie que atingiu Portugal nesse dia e por me lembrar da cara de felicidade de muitos que apesar disso arriscaram para vir dos lugares mais diversos do país.

MS – O que é que distingue o “Indiegente Live” de outros espectáculos que a que o público possa assistir? O concerto do próximo dia 19 de Outubro tem um cartaz diferente do apresentado em 2018. A 2.ª edição do “Indiegente” será igualmente única?

NC – No fundo é o que disse sobre o conceito, juntar artistas para fazerem coisas em conjunto. Este ano arriscámos mais um pouco e vai existir estreias de projectos, até eu estou curioso para ver a máquina a andar. Temos mais nomes menos conhecidos, no fundo é disso que o Indiegente é feito, de nomes que são pouco conhecidos e vão crescendo.

MS – Como foram escolhidas as bandas?

NC – As bandas foram todas escolhidas por mim, estou sempre aberto a sugestões obviamente, neste caso, por exemplo, falaram-me de uma banda da Violeta que era incrível, eu não conhecia a banda nem a criadora, procurei, vi e ouvi e disse é isto! Lancei o convite. No caso dos Knot3 da Selma e do Toni Fortuna fiquei com um bicho a morder-me depois de uma conversa com eles no final do concerto dos Dead Combo no Coliseu, uns dias depois convidei-os, os Parkinsons por exemplo era algo que não pensava ser possível, liguei ao Victor Torpedo a pensar no karaoke e de repente estávamos a falar dos Parkinsons por iniciativa dele, quase todos os convites tem uma pequena história. No fundo as bandas foram todas escolhidas com base na música que fazem, na garantia de serem bons ao vivo e por último ser bom estar com estas pessoas todas reunidas tendo a certeza que será uma noite de boa onda e que se pode tornar de amizade entre os que não se conhecem, podendo vir a estabelecer-se pontes para o futuro, como aconteceu, por exemplo, no ano passado, com o Fast Eddie Nelson, o Adolfo Luxúria Canibal e o Scúru Fitchádu que acabaram por gravar para o disco do Fast Eddie um dos temas que fizeram de propósito para este evento.

MS – A maioridade do “Indiegente”, da Antena 3, marcou um evento que se vai tornar uma tradição anual? Já pensa num espectáculo semelhante para o ano que vem?

NC – Hahaha não sei, agora já não digo que será único, mas é feito com muito boa vontade de todos, por um lado gostava que fosse por outro acho que temos de avaliar a cada momento. Se sentir que aquilo que se vive no backstage é tão bom como o do ano passado então acho que não terei dúvidas fazer novamente.

MS – Obrigada Nuno Calado e muito sucesso para o evento e para o programa! 😊

NC – Muito Obrigado!!!! For real!!! <3

Bizarra Locomotiva, Cabrita (o novo projecto a solo de João Cabrita), Nancy Knox e Plastica, Alguma Cena (Alex D’Alva Teixeira e Ricardo Martins), Anarchicks, Dead Club, a estreia dos Knot3 (Selma Uamusse e Toni Fortuna), Manu De La RochePistaRui Maia, The Act-Ups, The Dirty Coal TrainThe Parkinsons e Vaiapraia são os nomes anunciado para a segunda edição do Indiegente Live, dia 19 de outubro, no LAV – Lisboa ao vivo.

 

[Imagens: ©Francisco Levita/CML-ACL]

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