Chegaram a ser detidos várias vezes?
Sim, em muitas manifestações onde estivemos e em eventos que fomos sem sermos convidados. Inauguração do Túnel do Marquês, na tomada de posse de José Sócrates, numa manifestação do 1 de dezembro…
A manifestação de 12 de março foi uma festa.
Sim, com convidados e tudo… Rui Veloso, Fernando Tordo, Vitorino, entre outros. Estávamos a viver o momento. É complicado explicar porque foram tantas coisas a acontecerem ao mesmo tempo… os Homens da Luta eram personagens do 25 de abril a viver o 25 de abril hoje. Foi tudo muito surreal. Era um carrossel e nós deixámo-nos levar.
E depois do auge?
Devíamos ter acabado os Homens da Luta nessa manifestação, mas é daquelas coisas que só se sabe depois. Não me arrependo, continuamos a fazer, mas aquele momento foi o pináculo. Depois, nunca dura muito. Começaram a olhar para nós como “os que queriam ganhar dinheiro como os outros”. Embora isso seja o percurso normal, para as personagens não funciona da mesma maneira… Uma coisa é a pessoa, outra é a personagem, e no nosso caso já estava tudo tão misturado que o público já não distinguia.
Foi aí que paraste por completo?
Sim, precisava mesmo de parar. Já estava saturado, foi a fatura a pagar.
O passo seguinte foi a política, candidato à Câmara Municipal de Cascais. Porquê?
Foi uma catarse. A nossa candidatura era praticamente a banda toda. Foi tirar a farda e meter no papel uma série de ideias, desde wi-fi gratuito no concelho, hortas comunitárias, coisas que existem hoje em dia. Uma das ideias era haver uma moeda municipal, que as pessoas ganhavam em trabalho voluntário e podiam pagar serviços municipais, como estacionamentos e transportes.





































