Estiveram no “limbo” até quando?
Até ao auge da crise. Os Homens da Luta, pela sua natureza, tinham uma oportunidade de aproveitar o contexto e ter um impacto forte. Não aparecíamos nos canais generalistas de uma forma, aparecíamos de outra, com a presença em manifestações e a invadir eventos. Ao mesmo tempo que isso acontecia, o projeto passou a banda, para ganharmos dinheiro a dar concertos. Éramos 10 ou 12 elementos. Na altura da crise estávamos no centro das atenções, eram personagens que nos davam hipótese de estarmos presentes onde as câmeras estavam.
Das manifestações para o Festival da Canção… mais um acaso?
Sim (risos). Há um ano, 2010, em que estou em casa e, por acaso, vejo um anúncio do Festival da Canção. Atenção que na altura ninguém ligava nenhuma ao evento, não é como é hoje. Enviámos uma canção que tínhamos no nosso álbum, sem ler os regulamentos. Fomos apurados e na votação da internet já estávamos em primeiro, onde eram selecionados os finalistas, mas alguém foi ler os regulamentos e repararam que era uma canção que já tinha sido publicada, e portanto não cumpria o regulamento, e fomos retirados…erro nosso! No ano a seguir fizemos outra canção, A Luta É Alegria, concorremos e ganhámos. Foi um escândalo! Fomos assobiados, só a minha família e amigos é que batiam palmas. Nós éramos vistos como uma ofensa por sermos comediantes e estarmos ali, estava tudo contra nós. Uma das recordações mais emocionantes que tenho do meu pai, que já faleceu, é dessa altura, tudo a assobiar e ele aos saltos com a t-shirt a apoiar.
Como é que foi a experiência de representar Portugal lá fora?
Nós éramos uns extraterrestres. Estavam todos com muito receio que fossemos fazer algo ligado à política, uma intervenção. Nada disso, nunca foi a ideia dos Homens da Luta enquanto personagens. O nome da canção é A Luta é Alegria, portanto, logo aí, mete-te num patamar que é utópico, nós estávamos na luta, mas o que gostávamos era de alegria e de comer marisco. Éramos uma contradição que existia, e foi isso que nos fez ser algo tão forte na altura.
Nem todos percebiam isso.
Na comédia, isso é do melhor! Nessa altura, fomos entrevistados e falámos para o mundo, desde a CNN, BBC, jornais franceses, ingleses, espanhóis, russos, por aí fora. Nós ainda por cima andávamos nas manifestações, eles pensavam “Que grupo é este? Quem é que é esta gente? Então, andam no meio das manifestações e vêm ao festival?”. Chegaram a vir cá filmar-nos em manifestações. Nós éramos personagens a viver um ambiente real, tivemos muito impacto mesmo.





































