E quais foram os teus primeiros passos na comédia?
Inscrever-me num curso de edição de vídeo da RESTART foi o primeiro passo, em 2004. Queria fazer comédia mas não tinha câmeras nem computadores, na altura as condições eram muito diferentes das de hoje. Juntei o útil ao agradável e, enquanto aprendia a editar, ia filmando os meus conteúdos, tendo acesso ao material e a ajuda de colegas. Comecei assim. Fiz assim os meus primeiros dois personagens: o Russo – viciado em drogas, e o Miguel Martins – o vendedor de Portugal a terroristas.
Numa altura em que não se tinha uma mente tão aberta, não tiveste medo?
Não, havia alguma polémica, mas a internet não era o que é hoje. Não havia redes sociais, os meus primeiros sketches circulavam pelas pessoas por e-mail, era um mundo bem mais pequeno.
E o que se sucedeu?
Fiz os vídeos e fui mostrá-los ao Rui Unas, que na altura tinha o Cabaret da Coxa. Sempre me dei bem com ele, digo que ele é o meu Júlio Isidro (risos), foi ele que me abriu a porta da televisão, tanto a gozar com os meus videoclipes no Curto Circuito, como para o programa, onde passava sketches dessas personagens que falei anteriormente. Foi aí que senti que comecei a ter impacto. Entretanto apareceu-me outra oportunidade.
Na RTP2?
Sim, outra vez por acaso. A minha vida é cheia de acasos. Eu estava num estúdio de som de um amigo, a mostrar-lhe os sketches que estava a editar, e chega lá o Carlos Afonso, das Noites Marcianas da Sic, que viu e gostou. Passou-me um trabalho que ele tinha sido convidado mas que não queria fazer, disse-me para ir e mostrar os meus trabalhos. Fui e gostaram. Deram-me um sketch por semana no A Revolta dos Pastéis de Nata, um programa com o Pedro Fernandes, Luís Filipe Borges, entre outros. Aí comecei a criar mais personagens porque todas as semanas tinha de fazer algo novo e diferente. Foi um grande estímulo à criatividade para começar a ganhar ritmos.
Foi na altura de uma nova geração da comédia?
Sim, sem dúvida. Já não aparecia gente nova há algum tempo, praticamente desde o Herman José. Depois começaram a surgir vários, desde a malta do Levanta-te e Ri, os Gato Fedorento, muitos mais, entre os quais A Revolta dos Pastéis de Nata.
Tiveste duas temporadas na RTP2, porque saíste?
Chegou a uma altura em que eu já tinha tanta coisa que queria fazer, que um sketch por semana sabia-me a pouco. Iam começar a terceira temporada, em 2005, e eu pedi mais um…eles não deram, fui-me embora. Liguei para a SIC Radical a dizer que tinha saído da A Revolta dos Pastéis de Nata e que tinha muitas ideias e convidaram-me logo.





































