Até tens merchandising, pensaste logo em tudo.
Sim, tem de ser. Não sou uma pessoa muito organizada, mas sempre tive de ser eu o meu manager. Tive de aprender sozinho. Estou sempre a explorar hipóteses.
Passaste por todas as fases da comédia em televisão. Qual a tua opinião?
Mudou muita coisa. Acho que hoje é mais democrático, na óptica de que, quando eu comecei, no início dos anos 2000, era difícil teres acesso a material para fazeres um bom trabalho e isso não ajudava na democratização de aparecer talento. Hoje em dia mudou, qualquer pessoa consegue fazer tudo em casa, o que fez com que aparecesse muita malta nova, fora dos canais habituais como a televisão e rádio, que era só o que havia na altura. Só existias se estivesses na TV ou na rádio. Por outro lado, tornou o mercado muito mais competitivo, há muita coisa. Antigamente os conteúdos davam para anos, agora tens de estar sempre a fazer coisas diferentes. Eu lancei a música do Álcool Jel em agosto e as pessoas já me perguntam nas redes sociais se a próxima música vai demorar muito! Eu prefiro assim, a oportunidade é mais democrática. Esta difusão e evolução dos meios beneficiou muito a comédia, é uma grande mudança, a todos os níveis, desde o negócio à criatividade. Antigamente tinha-se mais impacto, hoje é tudo mais descartável.
Na tua opinião, quem é o futuro da comédia?
São vários, entre os quais Pedro Teixeira da Mota, o Carlos Coutinho Vilhena, o Diogo Batáguas, o Salvador Martinha…
Quais são as tuas maiores influências?
Gosto muito de Fela Kuti, um artista nigeriano que já faleceu. Era muito criativo e muito ativo socialmente e politicamente, foi preso muitas vezes. Sofria muito nas mãos do poder por causa da música que fazia, mas nunca parou de a fazer, isso para mim é um grande exemplo. Às vezes pensamos que a nossa vida é difícil, e olhar para a vida dessas pessoas, ajuda. Claro que a minha vida ao lado dessas, não é nada que se pareça. O Herman José também é uma grande referência, teve um impacto que só mais tarde é que eu percebi. Ele foi uma revolução, nunca se tinha visto nada assim. Sou muito influenciado pelo estilo de comédia do Herman José, uma comédia baseada em personagens. Michel Houellebecq e Michel Onfray também, são dois escritores franceses, deram-me a conhecer algumas perspetivas.





































