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“Melhorar o Ensino Superior é melhorar o país”

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No passado dia 26 de janeiro, os órgãos sociais da Federação Académica de Lisboa (FAL) tomaram posse para o mandato de 2017/18. A Mais Superior sentou-se à conversa com João Rodrigues, responsável máximo pela nova estrutura, para falar dos objetivos no ciclo que agora se inicia.

Esta foi uma lista que se candidatou pelo apreço ao projeto que é a Federação Académica de Lisboa, e pela vontade de dar continuidade ao que foi feito ao longo dos últimos dois anos. Atualmente, e também graças à ação deste organismo, Lisboa está no centro das decisões políticas relevantes para o Ensino Superior, e os seus estudantes estão hoje melhor representados nos vários assuntos da vida académica.

João Rodrigues começa por reconhecer isso mesmo. “No desporto, por exemplo, vimos Lisboa a organizar 30 anos depois, os Campeonatos Nacionais Universitários”. É com esta identificação ao que de bom foi feito pela direção anterior que se propõe liderar um projeto que é transversal às instituições e às áreas de atividade, e que nas suas palavras é “de continuidade mas com a introdução de algumas mudanças, sem hipotecar a estrutura e assegurando que os estudantes de Lisboa se reveem na sua academia, e que sabem que há uma Federação que os representa”.

Acima de tudo, esta direção quer assumir o desígnio de pertencer a uma das gerações mais qualificadas de sempre, que não deve resignar-se e estar conformada. Um inconformismo passa também por esta Federação Académica e pelos seus membros, que têm “vontade de fazer cada vez mais e melhor pelo Ensino Superior e pelos estudantes de Lisboa”, de acordo com o seu responsável máximo.

Objetivo: Melhorar o estado do Ensino Superior
A nova direção da FAL pretende trabalhar nas três áreas que considera fundamentais – a Ciência, a Tecnologia e o Ensino Superior. João Rodrigues explicita: “Relativamente à ciência, defendemos a alteração do modelo de financiamento e das condições laborais de quem faz ciência, que deve ser mais valorizado. Queremos também combater a falta de inclusão dos estudantes dos centros de investigação e a ausência de renovação dos quadros desta atividade, e ao nível tecnológico fomentar a criação de espaços de discussão e de apresentação de ideias e de projetos.
Ao vivermos num país pequeno e com poucos recursos, a principal riqueza que temos é o conhecimento. E isso cria-se através da ciência e da tecnologia”
, remata.

A tomada de posse é também um momento para marcar posição perante a necessidade de mudança. E aí, João Rodrigues aponta o que, no entender dos novos órgãos sociais da FAL, está errado: “Não faz sentido que, nesta altura, o concurso para a atribuição de bolsas de doutoramento ainda esteja em avaliação. Tal como não se admite que os contratos de investigação sejam um incentivo à precariedade nem que, em finais de janeiro, haja estudantes do Ensino Superior cuja bolsa ainda não tenha sido avaliada pelos serviços académicos. Também não nos parece compreensível que unidades orgânicas da mesma instituição de ensino tenham taxas e emolumentos diferentes”, assinala.
No entender da FAL, há “muito para corrigir”, e importa “não discutir apenas Lisboa, mas sim o panorama a nível nacional”.
O objetivo final é, de acordo com o seu Presidente, “melhorar o estado do Ensino Superior e, em última instância, melhorar o estado do país”.

As propostas
Na política
A nova direção da FAL pretende continuar a marcar presença nos Encontros Nacionais de Direções Associativas – o fórum primordial de discussão das questões relacionados com o Ensino Superior – mas quer ir mais além, através de “reuniões com a tutela, com parceiros, com responsáveis das instituições de ensino, com os serviços de ação social e com os media; da convocação de reuniões parlamentares e de audiências com o Ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior”, de acordo com João Rodrigues.
A FAL pretende dar uso às vias diplomáticas na defesa dos interesses dos estudantes, mas não fecha a porta “à defesa intransigente daquilo que acreditamos ser o melhor para o Ensino Superior e para os nossos estudantes”, assegura o seu responsável máximo.

No desporto
Depois da organização dos Campeonatos Nacionais Universitários em 2016, a ideia passa agora por olhar para o exterior. Para além da organização pontual de provas de modalidades desportivas de curta duração, a FAL vai participar na organização do Campeonato Nacional Universitário de Surf, em maio próximo, e sobretudo procurar “projetar a nossa marca e a nossa identidade, chamando a nós praticantes de outros países, através da candidatura à organização de eventos internacionais, com o apoio de organismos como a Federação Académica de Desporto Universitário (FADU), a European University Sports Association (EUSA) e a própria Associação Desportiva do Ensino Superior de Lisboa (ADESL)”, refere João Rodrigues.
Para além do desporto formal, a aposta recairá também no desporto informal, fomentando “o convívio, a prática desportiva, o debate do que queremos para o desporto em Lisboa e o envolvimento entre estruturas numa cidade tão rica em associações desportivas”, conclui.

Na cultura
Quando se fala em cultura, as tunas surgem sempre na linha da frente. Elas farão parte da aposta da FAL, mas mais que isso, “a contribuição para tornar mais acessível aos jovens o acesso a museus, teatros e outros espaços culturais, possivelmente através de um cartão de cultura. Outra das ideias passa pela criação de um simpósio, envolvendo diversos grupos académicos”, apontou o Presidente deste organismo.

Na ciência
“Queremos uma ciência participada, onde toda a gente possa discuti-la, compreendê-la e partilhá-la, e não que ela esteja reservada a um grupo restrito de pessoas. A ciência deve ser transversal e fomentada entre todos, e trazida para ser discutida nas faculdades”, sustenta João Rodrigues, referindo que a FAL poderá explorar isso mesmo através de parcerias com a tutela e com entidades como a Ciência Viva.

Na tecnologia
Aposta no desenvolvimento de estruturas e no apoio às startups. Em vias de ser criado está também o Centro de Estudos da Federação Académica de Lisboa, que na área da ciência dará “um grande contributo através da produção de conhecimento em várias áreas do saber”, de acordo com João Rodrigues.

Na área recreativa
A FAL promete dar a Lisboa um evento de curta duração, que cumpra dois propósitos: “Que represente as nossas Associações de Estudantes, e que elas daí possam retirar mais-valias”, nas palavras do seu responsável máximo.

Para os novos órgãos sociais da Federação Académica de Lisboa, o propósito é o de representar toda a academia de Lisboa, apresentando resultados ao nível político, melhorando o desporto, e tornando a cultura, a ciência e a tecnologia cada vez mais parte do léxico dos estudantes. Cumprindo esse desígnio, existe a crença de que este organismo se converterá numa marca da cidade. “Demore um, cinco ou dez anos”, como refere o seu recém-empossado Presidente.

[Entrevista: Tiago Belim]
[Fotos: Federação Académica de Lisboa @ Facebook]

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