A mobilidade condiciona o acesso ao Ensino Superior
O EDULOG, think tank da Fundação Belmiro de Azevedo, revelou que, apesar da expansão e massificação do ensino superior em Portugal, a mobilidade estudantil continua fortemente influenciada por fatores socioeconómicos e territoriais. Com base em dados de cerca de 724 mil diplomados do ensino secundário, o estudo mostra que a distância entre o município de origem e a instituição é um dos principais obstáculos, particularmente para estudantes de cursos científico-humanísticos, enquanto diplomados de cursos profissionais tendem a optar por percursos mais curtos, concentrando-se em instituições próximas, sobretudo politécnicos.
O background socioeconómico e a presença ou ausência de instituições no município de origem revelam-se igualmente determinantes. Em áreas metropolitanas, a oferta diversificada aumenta a sensibilidade à distância; nos territórios do interior, a mobilidade é muitas vezes necessária devido à escassez de alternativas locais. Universidades de grande dimensão ou com especializações estratégicas atraem estudantes de outras regiões, enquanto os institutos politécnicos mantêm-se como opção de proximidade.
No caso do curso de Medicina, a distância é menos dissuasora devido ao prestígio e aos elevados retornos do curso, mas fatores socioeconómicos têm grande impacto: um aumento da proporção de alunos do ensino privado eleva os fluxos para Medicina, enquanto a distância influencia menos do que nos demais cursos científico-humanísticos.
O EDULOG sublinha a necessidade de políticas públicas que reduzam as barreiras territoriais e económicas, propondo medidas como:
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Apoios diferenciados à mobilidade;
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Reforço do ensino superior no interior, em áreas estratégicas como saúde, tecnologia e energias renováveis;
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Monitorização das desigualdades de acesso e reforço da ação social escolar;
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Ajustamento da oferta territorial e institucional e acompanhamento da transição para o mercado de trabalho, incluindo salários e progressão profissional.
Para Alberto Amaral, membro do conselho consultivo do EDULOG, “a mobilidade no ensino superior continua condicionada pelas condições económicas e geográficas das famílias. Estudar fora permanece financeiramente incomportável em muitas regiões. Se queremos um país mais coeso e um sistema de ensino superior acessível, é fundamental implementar políticas que reduzam estas barreiras e garantam oportunidades educativas independentemente da geografia”.
O estudo evidencia, assim, que a expansão do ensino superior não é suficiente para garantir equidade: é necessário agir sobre os fatores estruturais que continuam a limitar a mobilidade, a diversidade de escolhas e a distribuição regional do capital humano em Portugal.





































