Opinião | Sucesso e insucesso no Ensino Superior: Quando o saber se mede pelo impacto
O sucesso académico é, tradicionalmente, medido por indicadores quantitativos: taxas de conclusão, médias finais, rankings e empregabilidade. Mas, no Ensino Superior, o verdadeiro sucesso ultrapassa métricas tradicionais, manifestando-se pelo impacto clínico, social, científico e educativo, gerado pela aplicação do conhecimento.
Vivemos um tempo em que o Ensino Superior é chamado a provar a sua relevância social. A universidade deixou de ser apenas o lugar da transmissão de saber para se tornar o espaço da sua aplicação, experimentação e impacto. O estudante de hoje não procura apenas aprender, procura compreender o sentido daquilo que aprende e ver esse conhecimento refletido no mundo que o rodeia.
Na Egas Moniz School of Health & Science, esta visão não é um ideal futuro, mas faz parte do ADN da instituição, traduzindo-se num modelo integrado, que articula ensino, prática clínica, investigação e intervenção comunitária, com participação ativa dos estudantes, desde as fases iniciais da formação. Cada aula, cada estágio, cada projeto, cada ensaio do coro ou atuação das tunas, cada treino desportivo, são expressões de um mesmo princípio transformador: o conhecimento só cumpre o seu propósito quando melhora a vida das pessoas e quando faz crescer quem o aprende, como cidadão e profissional.
O sucesso, neste contexto, mede-se pela capacidade de aplicar a ciência à realidade concreta, de transformar dados em diagnósticos, teorias em soluções e ideias em projetos que sirvam a sociedade. É por isso que os estudantes são incentivados a integrar equipas multidisciplinares e a trabalhar em contextos reais de prática clínica, laboratorial e comunitária, desde o primeiro dia. Aprender, aqui, é participar na vida académica, é exercitar o pensamento crítico e ético na resolução de problemas e é compreender que a Saúde é um bem coletivo, partilhado entre pessoas, animais e ambiente.
Assim, o trabalho colaborativo é o alicerce desta jornada. É nas equipas interdisciplinares, onde convivem estudantes de Medicina Dentária, Enfermagem, Nutrição, Fisioterapia, Psicologia, Ciências Biomédicas e Veterinárias, que se constrói o verdadeiro espírito académico. Aprender com o outro e através do outro é o que torna o conhecimento vivo.
Mas o Ensino Superior não cumpre a sua missão apenas dentro do campus. A transferência de conhecimento é o elo entre a Academia e a sociedade. Quando a Ciência chega às associações de doentes, o saber transforma-se em cuidado; quando chega às escolas, torna-se literacia; quando chega aos tribunais, converte-se em justiça. A colaboração com organizações comunitárias e instituições públicas permite que o conhecimento académico se traduza em ação social, inovação e justiça.
Nas Ciências da Saúde e do Comportamento, este compromisso ganha especial relevância. Por exemplo, a Investigação Forense, a Psicologia Clínica e a Medicina Legal desempenham hoje um papel essencial na proteção das vítimas e no combate à violência doméstica. A Academia, neste contexto, não é um espaço distante, é uma força, que serve, escuta e intervém. A Ciência, quando aliada à ética, torna-se um instrumento de esperança.
O insucesso académico é abordado como um indicador de necessidade de intervenção pedagógica, sendo apoiado por modelos estruturados de tutoria, acompanhamento personalizado e metodologias de ensino ativo. Assim, garantimos que cada estudante encontra o seu ritmo e o seu propósito. Reduzir o insucesso é um ato de responsabilidade institucional e de justiça educativa.
Na minha perspetiva, o sucesso académico tem de ser inseparável do sucesso social. Ele mede-se pela capacidade de cada instituição inspirar os seus estudantes a transformar conhecimento em serviço, ciência em solidariedade e aprendizagem em compromisso cívico. O Ensino Superior do futuro será, inevitavelmente, o ensino do impacto, um ensino, que integra razão e emoção, conhecimento e ação.
Porque o verdadeiro sucesso de uma instituição não está apenas em formar quem sabe mais, mas quem sabe aplicar o que aprende com rigor, empatia e sentido de missão.
Artigo de José João Mendes, Presidente da Direção da Egas Moniz School of Health & Science



































