Lisboa aprende a abrandar com “Out Jazz”
O Out Jazz regressa aos jardins de Oeiras entre maio e setembro com concertos gratuitos, novos formatos e a mesma promessa de sempre: transformar fins de tarde comuns em pequenos rituais de verão.
Há festivais que vivem dos cartazes. O Out Jazz vive da atmosfera. Das mantas estendidas na relva, das pessoas descalças a dançar sem grande preocupação, do som de um saxofone misturado com copos a tilintar ao fundo e daquela sensação rara de que a cidade, por algumas horas, finalmente desacelera. Vinte anos depois da primeira edição, o Somersby Out Jazz regressa a Oeiras para mais uma temporada de música ao ar livre, entre maio e setembro, ocupando cinco jardins do concelho com concertos gratuitos e DJ sets ao pôr do sol. A edição comemorativa arranca a 3 de maio no Parque dos Poetas e traz novidades: além dos habituais domingos, haverá também concertos nas primeiras sextas-feiras de cada mês e um novo mercado temático integrado no festival.
O Out Jazz nunca precisou de fogo de artifício para se tornar um fenómeno cultural. Enquanto muitos eventos tentam impressionar pela dimensão, este conquistou espaço precisamente por fazer o contrário: aproximar as pessoas. O conceito mantém-se simples ao fim de duas décadas, música, jardins e finais de tarde longos, mas talvez seja exatamente essa simplicidade que o tornou indispensável para milhares de pessoas na Grande Lisboa.
A edição de 2026 assume-se como uma celebração dessa identidade construída ao longo do tempo. Desde 2006, já passaram pelo festival mais de 480 bandas e 500 DJs, números que ajudam a perceber a dimensão do percurso, mas que dizem pouco sobre aquilo que realmente distingue o evento. O Out Jazz não se resume ao palco. É quase um estado de espírito coletivo.
Durante cinco meses, o festival vai circular por diferentes espaços verdes de Oeiras. Maio pertence ao Parque dos Poetas. Junho muda-se para os Jardins da Quinta Real de Caxias. Julho instala-se no Parque Urbano de Miraflores, agosto passa pelo Jamor e setembro encerra nos Jardins do Palácio Marquês de Pombal. Cada espaço traz um ambiente diferente, mas todos partilham a mesma lógica: criar uma espécie de refúgio urbano onde a música funciona mais como companhia do que como ruído de fundo.
O arranque do festival acontece logo no dia 1 de maio, no Largo 5 de Outubro, com atuação dos The Invisible Tuba. Depois disso, os domingos ganham banda sonora fixa. Ricardo Pinto & Miguel Martins Quarteto, M.Dusa, Manila, Tony Rosie, Libra, SoundPreta, Jazzafari ou Tobyone são alguns dos nomes já confirmados para as primeiras semanas da programação.
Mas a maior novidade deste ano talvez esteja fora dos concertos. Pela primeira vez, o festival terá atuações também às sextas-feiras, espalhadas por diferentes pontos do concelho, numa tentativa clara de expandir a
experiência para lá do ritual tradicional de domingo. Junta-se ainda o Out Market, um mercado que acontecerá no último domingo de cada mês e que pretende reforçar a componente social e comunitária do evento.
Há qualquer coisa de curioso no sucesso do Out Jazz: num tempo em que tudo parece pensado para ser rápido, viral e descartável, o festival continua a apostar na lentidão. Não há correria entre palcos. Não há necessidade de chegar cedo para garantir lugar na primeira fila. O importante nunca foi estar “mais perto”. É estar ali.
E talvez seja por isso que, ao fim de 20 anos, o Out Jazz continua a funcionar quase como um ritual de verão não oficial. Porque mais do que concertos gratuitos, oferece uma coisa cada vez mais rara nas cidades: tempo. Tempo para ouvir música sem pressa, para ficar sentado num jardim até o sol desaparecer e para lembrar que, às vezes, os melhores eventos são precisamente aqueles que parecem acontecer sem esforço.
Colaboração Editorial: Mariana Sousa




































