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Entrevista a Isabel Delgado – Chefe de Secção Bosch Car Multimedia Braga

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Imagem cedida pela entrevista- Isabel Delgado

1. Como surgiu o interesse numa área maioritariamente masculina?

Por mero acaso. Através do meu companheiro que é eng. Eletrotécnico tive contacto com a área e acabei por me deixar fascinar sobretudo com a oportunidade de desenhar sistemas completos incluindo HW e SW. Construir soluções.

2. Durante o seu percurso académico alguma vez sentiu alguma discriminação por parte dos colegas ou até mesmo professores?

Não, nunca senti. Apesar de haver curiosidade de alguns colegas sobretudo em perceber o motivo para a escolha do curso, não senti que existisse efetivamente discriminação. Sempre senti que tinha as mesmas oportunidades dos meus colegas.

3. Qual foi a parte mais difícil em frequentar um curso associado em primeira mão a homens?

Não consigo identificar uma parte difícil por esse facto. O curso era bastante exigente e todos tínhamos de nos empenhar verdadeiramente, mas nada disso tem que ver com o género.

4. Como se sentiu em pertencer a uma turma com poucas mulheres?

De facto, eramos muito menos mulheres. Mas penso que nada nos impediu de atingir o nosso potencial e de ter uma vida académica bastante participativa. Fui membro do núcleo de estudantes do IEEE, entrei num concurso de robótica com um grupo de colegas…na verdade não me recordo de alguma vez ter sentido alguma dificuldade acrescida devido ao meu género. Eu gostei imenso do meu curso e sempre me senti bem, confortável.

Aquando da sua entrada no mundo profissional, sentiu que os seus colegas homens tiveram dificuldade em aceitá-la?

Não. A minha entrada no mundo profissional foi na sequência do meu estágio curricular. Após a conclusão do projeto fui convidada para continuar na empresa.

5. Sentiu que a sua progressão de carreira na Bosch foi mais demorada pelo facto de ser mulher?

A Bosch é uma empresa que procura ativamente fomentar uma cultura de igualdade de oportunidades e de diversidade. Por isso até acabam por se proporcionar as oportunidades naturalmente. Eu sempre tive a sorte de ter projetos interessantes na Bosch e a minha carreira quer na área puramente técnica quer agora na área da liderança, tem sido bastante gratificante e enriquecedora.

6. Como lida com as desigualdades salariais entre homens e mulheres?

Naturalmente não posso concordar nem tolerar. A remuneração é definida de acordo com a função e com o desempenho do colaborador. Nada tem que ver com o género. A todos devem ser dadas as mesmas oportunidades.

7. No geral, as pessoas tendem a associar os homens a cargos de poder e por vezes pode tornar-se mais difícil para uma mulher impor-se e ganhar o seu espaço. Pensa que isso aconteceu consigo?

Não vou dizer que nunca houve um ou outro colega que me aceitou menos bem, que duvidou da minha competência técnica. Sobretudo há uns anos. Atualmente já não sinto tanto essa desconfiança.

8. Sente que é mais respeitada por possuir um cargo de chefia?

Por ser mulher e possuir um cargo de chefia? Não de todo. Sinto que sou efetivamente respeitada, mas pelo meu valor, pela minha entrega.

9. Como foi ser distinguida com o prémio de community leader do Portuguese Woman in tech em 2020? Foi parabenizada por homens e mulheres de igual forma?

Sinto-me muito honrada com este prémio. Sei que o principal apoio veio de colegas com quem trabalho há muitos anos, e isto representa o reconhecimento das minhas capacidades enquanto Community Leader. Na verdade, este é um aspeto que valorizo muito. Acredito que conseguimos construir organizações mais fortes ao apostarmos verdadeiramente nas pessoas, na melhoria das suas capacidades, na atribuição de ferramentas e conhecimento mais amplo. Desta forma, os colaboradores serão capazes de tomar decisões bem informadas e de serem autónomos.

10. Se fosse hoje, voltaria a optar pela mesma variante académica?

Sim. Embora hoje a minha especialização seja na área da soldadura, considero que a área académica que segui foi essencial para me proporcionar as ferramentas e o conhecimento fundamental de que necessito na minha vida profissional. Penso também que o facto de ser engenheira me permite ter uma visão mais pragmática e mais focada na exequibilidade das soluções o que é sem dúvida uma vantagem no mundo da indústria e na área do desenvolvimento dos processos produtivos.

 

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