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Entrevista

Toy e o sucesso de “toda a noite” sem papas na língua

Flávia Ramalho

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Com mais de 30 anos de carreira, Toy tem marcado presença em muitas das festas universitárias que acontecem um pouco por todo o país. O artista português mostra-se feliz com o êxito de “Coração Não Tem Idade (Vou Beijar)” e à mesa com a Mais Superior, numa conversa informal, contou muitas “Toy stories” sem papas na língua!

QUEM É O TOY?

António Manuel Neves Ferrão. Nasci no dia 10 de fevereiro de 1963, na cidade de Setúbal, em casa (com parteira e tudo!). Tirei Contabilidade. Vivi na Alemanha durante oito anos, na minha passagem de adolescência para adulto. Fui pai aos 21 anos, já sou avô. Tenho mentalidade, penso eu, mais jovem do que os meus filhos. E sou uma pessoa normal como as outras, cuja profissão é cantar e fazer canções.

QUERES FALAR-NOS SOBRE A LIGAÇÃO QUE TENS A SETÚBAL?

Eu ainda continuo a achar que vale a pena defender uma causa, uma cultura, uma filosofia de vida… E o facto de nós não renegarmos os nossos pais, a nossa família, os nossos amigos – onde eu incluo, obviamente, a nossa terra, o nosso cantinho, o sítio que nos trata bem, onde nos sentimos bem e onde nos sentimos em casa. Eu em Setúbal sinto-me em casa! Eu nasci mesmo na cidade e ainda sou o setubalense que é sócio do Vitória de Setúbal, que não é adepto de nenhum clube de Lisboa, nem de nenhum clube do Porto, que é só do clube da terra e não consigo perceber estas contradições de dizer “eu gosto muito da minha terra porque tem os melhores produtos” mas depois quando chega ao futebol são dos clubes de Lisboa ou do Porto. Um dia hão-de me explicar. Porque eu sou português, a minha seleção é a portuguesa, não é a italiana, nem a alemã, nem a brasileira porque ganharam mais vezes. Ou seja, os portugueses nunca deixaram de ser da seleção portuguesa, se os setubalenses nunca deixassem de ser do seu Vitória ou os bracarenses do seu Sporting Clube de Braga, em vez de serem sócios e adeptos de outros clubes, provavelmente, também conseguiriam chegar mais longe. Isto é uma filosofia de vida. São estas coisas todas que definem uma pessoa que se liga à sua terra, ao seu povo e à sua gente. Obviamente, sendo português, que gosto de tudo o que é português também mas em Portugal primeiro está a minha terra-mãe e depois estão as minhas terras adoptivas – que são aquelas onde eu me sinto muito bem. Como a terra do meu pai, na região de Viseu, o Alentejo e outras… Portugal émaravilhoso.

QUAL É O SEGREDO PARA SE SER UM ÍDOLO E CRIAR GRANDES ÊXITOS AO LONGO DE MAIS DE 30 ANOS DE CARREIRA?

Eu não sei se há um segredo. O facto de provavelmente não haver segredo nenhum será talvez o segredo. Eu sei que isto é um paradoxo mas… Eu acho que o segredo é exatamente aquilo que no princípio foi um bocadinho “mau” para mim, por ser sempre transparente e dizer as coisas como os malucos e dizer sempre o que sentia sem pensar duas vezes antes de falar. No princípio foi um bocadinho complicado as pessoas aceitarem isso. Mas pelo facto de ter continuado a ser autêntico, as pessoas perceberam. Eu nunca mudei em relação às pessoas mas as pessoas mudaram em relação a mim. E penso que estas novas gerações percebem e entendem isso muito melhor. Se calhar, eu nasci no tempo errado, devia ter nascido mais tarde. Não sei. Porque na altura, aos vinte e tal anos eu já tinha o mesmo discurso que tenho agora. Já era a favor do cannabis liberalizado, já dizia asneiras em cima do palco. E continuo a ser a mesma pessoa porque acho uma hipocrisia tremenda as pessoas serem uma coisa em casa e chegam ao placo e são outra. E eu sou sempre a mesma pessoa, igual em todo o lado. Com defeitos, obviamente, e com algumas virtudes também, felizmente. Mas eu acho que o segredo é os mais velhos me conhecerem há muito tempo e de os mais novos entenderem a minha linguagem. Deve ser por isso que eu tenho público dos 4 ao 4 mil.

“para gostarem de mim, têm de gostar de mim como eu sou”

QUE PÚBLICO É ESTE?

Toda a gente! Crianças, adolescentes, estudantes, caloiros, pessoal em final de curso, malta da idade dos meus filhos todos (17, 27, 35), da minha neta, da geração da minha sogra e do meu pai. Tenho público de todas as idades.

POR VÁRIAS VEZES, QUE EXPUSESTE A TUA VIDA, NOMEADAMENTE, COM A TRANSMISSÃO DE “NA CASA DO TOY” E, MAIS RECENTEMENTE, COM A TRANSMISSÃO DO CASAMENTO COM A DANIELA, TUA ESPOSA. SENTES QUE ESTA PARTILHA FORTALECE A RELAÇÃO QUE MANTÉNS COM O PÚBLICO?

Não sei se favorece mas se não o fizesse não era eu. E, portanto, para gostarem de mim, têm de gostar de mim como eu sou. Senão é a tal história daqueles casais que namoram e depois quando casam divorciam-se porque as pessoas nunca se mostram conforme são e depois de casados consideram dado adquirido e começam a ter comportamentos diferentes. Eu tenho sempre o mesmo comportamento e digo sempre: não fui pedófilo, não andei a roubar bancos, não andei a roubar povo, dentro daquilo que pude fui sempre honesto ao máximo. Porque é que haveria de esconder a minha vida se não tenho nada para esconder? Sou uma pessoa normal. [A exposição acaba por servir] até para quebrar um bocadinho o “endeusamento” das figuras públicas que é mau para as pessoas e é mau para as figuras públicas. Em termos de psicologia humana acho que é mau uma pessoas sentir-se mais do que os outros assim como é mau uma pessoa sentir-se menos do que os outros. Acho que somos todos iguais com diferenças naturais.

COMO SURGIU ESTA OPORTUNIDADE DE TRANSMITIR O CASAMENTO?

Muito fácil. As coisas acontecem porque têm que acontecer. Nós decidimos casar no ano em que eu tive mais trabalho e falta de tempo. Muito mais falta de tempo do que aquilo que já é normal. Então, tive que delegar a alguém que me ajudasse. Sou muito amigo da Maya, há muitos anos. A Maya tem uma empresa de eventos e eu disse “ó Maya, tens de me ajudar nisto, pá, que eu não consigo. Eu dou-te os nomes todos das pessoas, tu vais vendo aqueles que podem, os que não podem e vais-me transmitindo e eu vou ajudando conforme posso”. E foi assim, a Maya começou a tratar das coisas e fez a proposta ao Correio da Manhã e perguntou-me. Eu disse que não me importava nada e que não me fazia diferença nenhuma. “Mas se quiserem fazer passatempos, eu quero que o dinheiro reverta a favor de solidariedade social”, disse eu. Isso é que era importante para mim. Até houve pessoas que chegaram ao pé de mim e disseram “ah vi o seu casamento em direto e gostei tanto”. Fazer os outros felizes não custa nada.

VOLTANDO À MÚSICA. SE TIVESSES QUE FAZER UM PÓDIO COM OS TRÊS MAIORES ÊXITOS DA SUA CARREIRA, QUAIS ESCOLHERIAS E PORQUÊ?

As músicas que eu mais gosto, que eu já fiz, provavelmente, nenhuma é conhecida. E isso é sempre aquela coisa de nós fazermos um álbum e depois a editora escolhe o tema para divulgar. No caso deste álbum [“Coração Não Tem Idade”] fui eu que decidi que este tema fazia sentido, porque já me assiste o direito de escolher. Mas tenho cerca de 3 mil músicas. Não consigo. É como ter 3 mil filhos e perguntar quais são os três que eu mais gosto. É muito difícil.

COM MAIS DE 30 ANOS DE CARREIRA, COMO É QUE É SER O AUTOR DE “CORAÇÃO NÃO TEM IDADE (VOU BEIJAR)”, UM ÊXITO QUE AGRADA A TODAS AS GERAÇÕES?

Neste momento, é muito gratificante perceber que a construção de uma música tem a possibilidade e a vertente de ser tocada em variadíssimos ritmos. Ela agora foi gravada em dueto comigo e com os TRIVIUM, na versão metal, já foi gravada em forró no Brasil… E fico muito contente! É como fazeres um filho e sair-te uma pessoa fora do normal muito acima da média. E tens orgulho no teu filho. Nós temos orgulho naquilo que é nosso e, portanto, esta canção só não foi para os Globos de Ouro como a canção mais tocada em Portugal, de resto, toda a gente é unânime a dizer isso.

ESPERAVAS TANTO SUCESSO?

Esperava sucesso, a este nível não. Principalmente, a nível internacional. Portanto, os TRIVIUM são uma banda que está entre as 20 melhores bandas de metal do mundo e gravaram comigo, a minha canção, na minha língua – em português – e convidaram-me para fazer dueto.

E COMO É QUE ACONTECEU O COVER DE MATT HEAFY DOS TRIVIUM?

Há um rapaz – que eu não conheço ainda pessoalmente – que eu não conhecia de todo, que faz vídeos no Twitch. Chama-se Morais é fã dos TRIVIUM e fã do Toy. Esse rapaz falava com o Matt Heafy, através do Twitch e pedia “Play Toy! Play Toy!”. Pedialhe para tocar porque a música era um êxito e ele enviou a música para o Matt Heafy. O Matt ouviu a minha música, achou piada e começou a fazer no Twitch com a guitarra. Mandaram-me aquilo, eu vi, depois cheguei à conversa com o Morais. Ele disse “Eh pá, o gajo curte bué a tua música e eu também gosto muito de ti, eles vêm a Portugal ao VOA e era tão giro que tu conseguisses estar com eles”. Mas antes disso, eu quando vi aquilo e quando a Mega Hits me convido para cantar no “Confessions” pediram-me uma música que não fosse minha e que fosse de um género musical diferente para eu fazer. E eu escolhi o “Until The World Goes Cold” dos TRIVIUM. Depois de ter gravado disse ao Morais para enviar ao Matt. Ele ouviu e adorou. E quando vieram a Portugal, [os TRIVIUM] comunicaram comigo. [Perguntaram-me] se eu podia ir ao Festival VOA e eu disse “vou!”. Por acaso, tinha concerto, nesse dia, mas o concerto era às 23h em Azeitão e aquilo acontecia às 19h. Fui lá e foi um êxito tremendo. E o Matt achou que eu tinha de gravar com eles. E gravámos.

COMO É QUE O PÚBLICO DO VOA REAGIU QUANDO VIU QUE OS TRIVIUM ESTAVAM COM O TOY?

A minha filha de 27 anos já tinha bilhete desde o ano anterior para o VOA porque é fã dos TRIVIUM e de uma outra banda que lá estava também. E foi comigo para o camarim. Ela estava muito contente por estar com a banda e com o Matt. Mas depois disse uma coisa que eu não me esqueço: “Pai, estou com receio da reação do público quando tu entrares em palco porque pode ser uma reação negativa”. Mas eu sou muito otimista. E quando o Matt faz a introdução e começa a cantar um bocadinho da música sozinho, a malta começa a cantar com ele. O Matt disse que tinha um convidado especial e eu entro. Quando eu entro aquilo foi a loucura total. Era gritos, tudo na boa e tudo a cantar. Depois cantei o refrão da minha música e o “Until The World Goes Cold”. Foi brutal mesmo.

DEPOIS DA ATUAÇÃO CONJUNTA NO VOA HEAVY ROCK FEST E DA GRAVAÇÃO DA MÚSICA COM OS TRIVIUM FALA-SE NUM POSSÍVEL PROJETO ENTRE TI E O MATT HEAFY. SÃO BOATOS OU PODE MESMO VIR A CONFIRMAR-SE?

O Matt Heafy disse que eu era lendário, fez-me imensos elogios e disse que queria voltar a fazer coisas comigo. Ele disse isto na entrevista na Antena 3 no “Alta Tensão” com o António Freitas. A partir daí tudo é possível acontecer. Agora mantemos uma amizade, não só musical mas também uma amizade pessoal. E sim, claro, vai acontecer, de certeza!

SENTES QUE HÁ UM TOY ANTES E UM TOY DEPOIS DO “CORAÇÃO NÃO TEM IDADE (VOU BEIJAR)”?

Eu não sinto isso. As pessoas provavelmente sentirão. Porque há muita coisa que muda, por exemplo, a adesão aos concertos… mas para mim não mudou nada. Estou mais feliz. Foi fantástico.

O QUE É QUE SE ESPERA DO FUTURO QUANDO O PRESENTE E O PASSADO SÃO TÃO BEM-SUCEDIDOS?

Espero continuar. O meu futuro tem dois dias. Eu penso no amanhã e no depois de amanhã, não penso na semana que vem, nem no mês que vem. Até porque quando nós começamos a ter uma certa idade não vale a pena pensar muito no futuro porque o futuro é a morte e não há outro. No fundo, é viver o presente intensamente e pensar que se mantenha durante muito tempo.

“CORAÇÃO NÃO TEM IDADE” E OUTROS ÊXITOS TÊM-TE LEVADO DE NORTE A SUL DO PAÍS. E, SOBRETUDO, A FESTAS ACADÉMICAS. COMO É QUE TENS SIDO RECEBIDO PELOS ESTUDANTES UNIVERSITÁRIOS?

[Tem sido] maravilhoso. Em Vila Real, Viana do Castelo, Évora, Coimbra, Aveiro… O mais engraçado é que as pessoas cantam as músicas todas, não é só o “Coração Não Tem Idade (Vou Beijar)”.

O QUE É QUE GOSTAS MAIS DESSAS FESTAS UNIVERSITÁRIAS?

Gosto da liberdade que os miúdos têm. Poder beber e fumar… Gosto da liberdade. Acho que estudar é estudar mas aquele dia é para curtir é para curtir.

ACHAS QUE O “CORAÇÃO NÃO TEM IDADE (VOU BEIJAR)” É UM HINO AOS UNIVERSITÁRIOS?

Não foi feito com essa finalidade. Mas, de facto, a canção identifica muita gente. Foi feita a pensar nas divorciadas de 60 anos. Eu ia cantar nas danceterias e via aquelas senhoras, que se tinham emancipado depois do marido as ter deixado por uma miúda mais nova. Elas em vez de ficarem em casa a chorar põe o salto alto e soltam-se e libertam-se. Ainda têm futuro. É um bocado homenagear a emancipação da mulher. Depois, a letra adaptou-se, de facto, a toda a gente.

SENTES QUE O TEU CORAÇÃO NÃO TEM IDADE?

Isso é uma metáfora. O coração tem idade. A mentalidade e os sentimentos que são normalmente identificados com o coração, aí não tenho idade. Eu olho para uma pessoa com 10 anos, 20 ou 50 e acho que depois de conviver com ela é que sei a idade dela. Não é o aspeto. Até porque depois desvanecese com o tempo. Os sentido apuram-se eu acho que as pessoas mais velhas são muito mais interessantes. Gosto muito mais de mulheres jovens pelo aspeto mas em termos de interesse há pessoas com 20 anos que são muito mais velhas e há pessoas com 50 anos que são muito mais jovens. E isto vale para o aspeto e para a mentalidade.

PERGUNTAS DOS SEGUIDORES DA @MAIS SUPERIOR

Como é que fazes magia com a barriga nos teus concertos? Faço isso desde pequenino. Quando era miúdo fazia esse exercício muitas vezes e toda a gente achava piada. E continuo a fazer. Divirto-me e divirto os outros. Se há uma coisa que eu não tenho é preconceitos.

Qual é o teu clube?

Vitória de Setúbal

Costumas ir muitas vezes ver o Vitória?

O ano passado fui uma vez. E, este ano, já fui uma vez. E fui dar uma palestra ao balneário dos jogadores, no dia em que o treinador foi despedido – quando o Sandro foi despedido contra o Marítimo. Falei acima de tudo da dignidade e da história de um clube. A maioria dos putos vão jogar à bola e não sabem onde é que vão jogar. Expliquei-lhes que eu quando subo a um palco, não interessa se vou ganhar mil ou se vou de borla, faço sempre o meu trabalho bem feito. Acima de tudo, quis passar a ideia que ser jogador de futebol não é só entrar no campo e saber dar uns toques na bola. É muito mais do que isso. As pessoas têm que valorizar a profissão. A cultura é a base fundamental de uma sociedade e se tu souberes a história do clube onde jogas, as figuras que já ali passaram… Ninguém se lembra do Vítor Batista, do Jacinto João, do Silvino, do Diamantino, do Hernâni, uma série de grandes jogadores portugueses que passaram no Vitória.

É verdade ou mito aquele vídeo em que estás a vomitar à saída do elevador?

É mito. Mas se fosse verdade era. O vídeo é verdadeiro só não sou eu. Aliás, raramente me aconteceu esse tipo de situação. A cair nunca e a “gregar-me” para aí uma ou duas vezes. Eu nunca vomitei vinho. O que é bom não deito fora.

Já pensaste em dedicares-te mais à enologia?

Alguma coisa há-de acontecer um dia…

 

NA MESA DO TOY…

…não pode faltar é “bom vinho e boa comida”, mas confessa “quanto à comida não sou esquisito e gosto de tudo”.

Vinho

Eu gosto de todos os vinhos bons, obviamente, que nesta região temos uma adega, a Casa Ermelinda Freitas, que tem ganho cerca de 500 medalhas a nível internacional para além de ser de uma família de quem eu sou muito amigo. Faz parte da minha família, embora não de sangue.

Gosto dos vinhos do Douro, ainda bem que a Ermelinda já tem uma quinta no Douro e vamos ter vinho do Douro dela, brevemente.

A partir de uma certa altura da nossa vida começamos a fazer escolhas. A experiência é a escola da vida e o tempo é o mestre e ensina-nos uma série de coisas. Eu já não tenho paciência para beber vinho mau. Já tenho tenho coragem de dizer “não bebo este vinho porque não gosto, prefiro beber água”.

Gosto de beber o que é bom, enquanto puder beber o que é bom, quando não puder sujeito-me. Entre um vinho mau e o um copo de água prefiro um copo de água.

Em jeito de brincadeira Toy afirma “percebo mais de vinho do que de música. Digo muitas vezes isto

Entradas

Gosto de presunto, gosto de queijo… de salgados gosto de tudo.

Pratos principais

E a comida a mesma coisa: prefiro não comer do que comer uma coisa má. E uma coisa má não quer dizer que eu não goste. Pode ser uma coisa demasiado salgada, ou sem sal ou mal confecionada.

Prato preferido: Bacalhau à lagareiro, arroz de cabidela, cabidela de batata, galinha corada, cozido à portuguesa, feijoada. Depois gosto muito de sardinhas, carapaus – quando são gordos – gosto de toda a qualidade de peixe quando é bom. Tem a ver com a qualidade do produto em si. É como dizer, gosto muito de mulheres, têm é que ser giras.

Sobremesa

Não sou muito de doces. Gosto de uma boa mousse de chocolate, de vez em quando, mas não sou muito goloso. Gosto de um bom cheesecake, tem de ser muito bom e bem feito. De doces gosto daqueles rebuçados de caramelo e pinhão que há em Espanha. Sou capaz de comer um saco disso, quando começo não paro.

Dieta especial

Evito comer à noite. Aproveito o almoço para me vingar e à noite como uma sopinha, um iogurte ou fruta.

O restaurante “O Pescador”, em Lagameças, Palmela, tem uma garrafeira e uma mesa exclusivamente do Toy

Visitei o restaurante há muito tempo a convite de um jornalista de uma rádio de Setúbal, o meu amigo Portugal, que me convidou porque este restaurante era patrocinador do programa dele. E ele disse “Olha o almoço hoje é cabidela, gostas?” e eu “gosto muito”.

Então eu vim aqui comer uma cabidela, gostei muito e passei a vir todos os domingos aqui comer cabidela. A minha vida dá uma volta, divorciei-me, depois casei-me com a Daniela, há onze anos, embora o casamento pela igreja tenha sido há pouco tempo, e começámos a vir aqui com mais assiduidade. E eu passei a almoçar sempre nesta mesa [depois de Vítor, dono do restaurante, ter aumentado o espaço]. Há cerca de nove anos ou dez, deu-me, nesta mesa, um AVC e fui daqui para o hospital. Digamos que o dono da casa “santificou” a mesa. E disse “nunca mais ninguém se senta aqui sem ser o Toy”. E na minha cadeira e na dele ninguém se senta. A partir daí, comecei a trazer para aqui coisas que me iam oferecendo. Comecei a ter aqui os meus vinhos, uma vez que almoço aqui 80% dos dias. Felizmente, que não serve jantares, senão tinha que viver aqui. E sinto-me em casa.

[Imagens: Cedidas pelo entrevistado]

 

 

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