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Zachary Quinto: “Foi um desafio certificar-me de cada fase da personagem e retornar às especificidades de cada.”

Sofia Rebanda

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 “NOS4A2” (Nosferatu) é a série de terror sobrenatural baseada no best-seller de Joe Hill (filho de Stephen King), lançado em 2013. A série estreia no canal AMC, no dia 3 de junho.

O enredo desenvolve-se em torno de Charlie Manx, um imortal sedutor que se alimenta das almas das crianças e depois deposita o que resta delas na Terra de Natal (“Christmasland”) – uma distorcida e gelada vila de Natal, fruto da imaginação de Manx, onde é Natal todos os dias e a infelicidade é proibida por lei.

Contudo, Manx vê o seu mundo ameaçado quando Vic McQueen, uma jovem na Nova Inglaterra, descobre que possui uma perigosa habilidade sobrenatural. Vic entra em campo para derrotar Manx e resgatar as suas vítimas – sem perder a cabeça ou tornar-se sua vítima.

Vic McQueen, interpretada por Ashleigh Cummings, é uma filha da classe operária com uma vida doméstica difícil. A sua criatividade e necessidade de manter a família unida, desperta nela uma habilidade sobrenatural para encontrar coisas perdidas. O dom de Vic, que é potencialmente perigoso para Charlie Manx, coloca-a no seu radar. Ao longo do amadurecimento de Vic, ela precisa lidar com a verdade sobre os seus pais, enquanto se esforça para derrotar Manx e resgatar as suas vítimas sem enlouquecer.

A mãe durona e esforçada de Vic (Linda McQueen, na pele de Virginia Krull) está determinada a manter a sua família unida e a proteger a sua filha. Às vezes agarra-se com muita força àqueles que ama.

Por sua vez, o charmoso pai trabalhador de Vic ( Chris McQueen representado por Ebon Moss-Bachrach) tem um fraco pela bebida, mas um profundo amor e compreensão pela filha. Chris é um homem complicado que se esforça para fazer o que é certo para Vic. No entanto, muitas vezes, fica aquém disso.

Bing Partridge, interpretado por Ólafur Darri Ólafsson, é outra das personagens desta série representando um homem trabalhador com um passado misterioso e uma mente impressionável que se vê seduzido por Charlie Manx.

Maggie Leigh (Jakhara J. Smith) é uma efusiva bibliotecária de cabelos roxos, com um portal para o universo feito de palavras cruzadas. Entra na vida de Vic pois procura Charlie Manx desde que um rapaz que ela conhece desapareceu e rapidamente que a sua única esperança de encontrar Manx está nas mãos de Vic e do seu dom.

Jami O’Brien assume a produção executiva de “NOS4A2 (Nosferatu)”. Já escreveu guiões para “Fear the Walking Dead”, “Hell on Wheels”, “Big Love” e para “Flesh and Bone”, nomeado ao prémio Writer’s Guild Award. Jami tem um MFA em Dramaturgia pela Yale School of Drama.

Joe Hill é o autor nº1 de best-sellers da lista de The New York Times, com “The Fireman”, “NOS4A2” e “Strange Weather”, entre outros. Ele recebeu o Eisner Award de melhor escritor por Locke & Key, a sua série de banda desenhada, que em breve se tornará uma série de TV na Netflix.

“Estou encantado (e deslumbrado) com o trabalho de Ashleigh Cummings, Jami O’Brien, Zachary Quinto e toda a equipa do AMC nos dez episódios da primeira temporada. Juntos, eles tiraram os personagens das páginas e trouxeram-nos para uma vida plena e assustadora, para um conflito que leva a um show de terror como nenhum outro. Tanta emoção. Espero que goste. Só sei que eu gosto. Para mim, todos os episódios têm um sabor a Natal que chegou mais cedo.”, confessa Joe Hill.

O ator Zachary Quinto é o protagonista desta nova série da AMC, interpretando o papel de Charlie Manx.  Na sua visita de apresentação e antestreia da série em Portugal, a Mais Superior teve a oportunidade de conversar com o ator.

 

O que é que “NOS4A2” tem para oferecer aos espectadores?

Acho que é um original assustador, de certa forma, divertido. Há uma exploração das personagens, complicada e multidimensional. É um projeto entusiasmante para fazer parte.

 

Joe Hill é o autor da obra e produtor executivo desta série. É enervante ou emocionante tê-lo em estúdio?

Ele não esteve em estúdio. Esteve claramente envolvido no que criámos mas não esteve propriamente envolvido no dia-a-dia, apoiou-nos de longe. Colocou imensa confiança na Jami O’Brian, tiveram muitas conversas antes de iniciarmos as gravações e por isso acho que se sentiu confortável com a visão dela para a série, mas só o vi para aí umas duas vezes em estúdio. Era sempre bom quando ele lá estava, era divertido vê-lo deliciado no seu mundo que foi tornado real. Foi muito bom partilharmos isso com ele.

 

“Não estarei muito interessado em interpretar outro papel como este durante um bom tempo”

 

O que o levou a aceitar o papel no “NOS4A2”?

Gostei muito da Jami O’Brian, da sua energia e da oportunidade de me transformar neste papel para me integrar mesmo na personagem e desaparecer na fisicalidade e evolução de quem o Charlie é psicologicamente.

 

E como foi passar por essa transformação? Ter de passar tantas horas na maquilhagem?

Faz parte do trabalho, nem sempre era confortável mas era sempre recompensador. No fim do dia, senti que era magia a forma como a equipa de maquilhagem era capaz de criar comigo e gostei da experiência.

 

Quantas horas demorou a caracterização?

Depende da fase da personagem. A fase mais jovem demorou 45 minutos e a fase mais velha 4 horas.

 

Como descreveria Charlie Manx?

É uma personagem com uma alma muito magoada. Foi abandonado, abusado e negligenciado em criança e nunca foi capaz de se dissolver disso. Entrou na crença manipuladora de achar que está realmente a ajudar as crianças e salvá-las de um destino nas mãos de pais desleixados, mas na verdade só se está a servir a ele próprio. É uma personagem desesperada que fará tudo o que tem a fazer para prosperar.

 

Está a retornar às suas raízes do mal com esta personagem, onde vai buscar a inspiração?

Para esta série foi ao livro. Joe Hill é um escritor incrivelmente talentoso, com uma imaginação enorme e retorcida para criar um mundo e personagem desse mundo. Não foi preciso buscar inspiração além disso. Foi muito fácil conectar-me com Charlie a partir das palavras do Joe e das imagens que invoca através da escrita.

 

Mas gosta de ser o vilão?

Eu gosto de personagens interessantes, complexas. Serem boas ou malvadas é algo secundário na minha relação com a personagem. Já interpretei muitas personagens. Charlie é talvez o terceiro vilão que interpreto e tenho sido incrivelmente bem sucedido até agora quanto ao gerar atenção nos projetos em que entrei. Há algo que funciona em mim e na interpretação desses papéis e estou feliz por retornar a este tipo de personagens, mas também sinto que é um fim para mim, um caminho que o Charlie fechou. Estou ansioso por explorar outros territórios, penso que não estarei muito interessado em interpretar outro papel como este durante um bom tempo.

 

Como é trabalhar com crianças?

Tenho que dizer que as crianças eram prós, eram todas muito talentosas e muito profissionais e fiquei muito surpreendido com isso. Tenho muito respeito pela forma como os produtores lidaram com as crianças, como trataram delas a nível psicológico para saberem as diferenças entre a realidade e a imaginação. Pude conhecer todas as crianças antes de colocar a maquilhagem. Colocamos as crianças a ver o trailer da maquilhagem para verem como era todo o processo e estavam intrigadas e entusiasmadas. Mas quando cresces em estúdio já sabes distinguir muito bem o que é real do que o que não é. O programa esteve muito bem ao tratar o bem-estar das crianças.

 

Regressou à televisão após cinco anos da última série que fez. Quais são as principais diferenças entre a televisão e o cinema e entre séries de televisão?

É totalmente diferente de há cinco anos atrás. É incrível o quanto tudo mudou. Há muitos mais locais de onde digerir conteúdo. A ideia de ver televisão como refúgio não existe. Toda a gente utiliza a frase da “idade de ouro da televisão” e é verdadeira. Vivemos os desafios de lutar para ter e manter uma audiência, mas acho que há muita coisa que é possível começar a ser contado em televisão e eu adoro fazer parte disso, é muito satisfatório.

 

Prefere fazer filmes? Ou não tem qualquer preferência?

Não prefiro um ao outro. Gosto de boas estórias, por isso, se puder contar uma boa estória na televisão ou em filmes, vou fazer isso.

 

Quando está no modo de Charlie mais velho, é mesmo a sua voz ou é um som criado digitalmente?

É mesmo a minha voz, foi a escolha que fiz.

 

Fazer essa voz teve repercussões negativas nas cordas vocais?

Não, quando treinei e entrei para a Escola de Drama, aprendi técnicas para posicionar e modelar a minha voz. Não tive nenhuma consequência. Foi um desafio certificar-me de cada fase da personagem e retornar às especificidades de cada. A voz fez parte dessas especificidades que refletia o tempo da personagem.

 

“Não gosto de assistir ao que fiz, faço o meu trabalho e depois coloco para que o todos possam ver”

 

Levou algum tempo para descobrir o tom perfeito para cada fase da personagem?

Primeiro descobri a fisicalidade e depois é que veio a voz. Tive dois meses e meio antes de começar a gravar, por isso, usei esse tempo para trabalhar na fisicalidade e dei espaço para criar a voz, mas foi um processo interessante.

 

Acha que a representação no cinema difere da representação em séries de televisão?

Não vejo diferenças entre elas. Quando estás a trabalhar em algo seja para o cinema ou televisão as diferenças estão na estrutura da narrativa. Quando contas uma estória para um filme é muito mais finito o processo de imergires na personagem e no mundo, enquanto que a personagem na série interpretas durante anos. Por isso difere na estrutura, mas na técnica de representação não há grandes diferenças na minha opinião, outros atores podem discordar comigo… A não ser que estejas a fazer um filme de ação com um grande orçamento para o IMAX stream. A estrutura de ambos é arrastar-te para as escolhas que fazem na estória em vez de as afastar, é ter vida interna forte e a câmara ter a capacidade de captar a subtileza disso. Essas são as principais diferenças entre o cinema, a televisão e o teatro. Adoro fazer teatro, estar em palco, já tive grandes experiências e é sempre um prazer enorme voltar.

 

Prefere o teatro, não é?

Sim, mas também me sinto agradecido por ter a oportunidade de trabalhar em cinema e televisão.

 

Quais foram os aspetos trazidos do livro para a série?

A adaptação da série é muito leal ao livro, mas a primeira temporada diz respeito ao primeiro terço do livro, por isso, há muitas mais estórias para explorar se fizermos mais temporadas da série. Foi a decisão que fizeram previamente para se fizéssemos múltiplas temporadas mas a essência da série é a mesma para honrar a integridade da série ao ser tornada realidade.

 

Gostava que houvessem mais temporadas?

Claro! Mas não sabemos se vão haver, vamos ver…

 

E essas novidades a certo ponto vão colidir com alguns trabalhos em cinema? Talvez em “Star Trek”? Talvez com Tarantino?

Talvez. Ia adorar com certeza. Quando começas a trabalhar num série tens de te comprometer a ficar durante algum tempo caso continue. Fazes essa decisão previamente, por isso, reservei na minha agenda tempo para futuras possíveis temporadas. Ficarei por perto para mais estórias na série caso as contemos e estarei disponível para outras coisas também.

 

Haverá uma temporada de “Biopunk”?

É um projeto que estou a desenvolver e está neste momento em germinação. Tenho uma produtora, por isso, desenvolvo muitos projetos que estão em fases iniciais de pré-produção. Essa não está mas espero que um dia a consigamos estrear, é uma boa estória. Vamos ver…

 

Como é que foi trabalhar com o resto do elenco? A sua personagem demora a conhecer as restantes.

Sim, passei a maior parte das gravações com o Darri, é uma excelente pessoa, um fantástico ator, generoso, com ótimo espírito, muito agradável de ter por perto. Passamos muito tempo na parte da frente do carro, que é apertado. Gostei muito de o conhecer. É muito bem conhecido no seu país, a Islândia e passou muito tempo a trabalhar em filmes, televisão, em Hollywood. Quando pude trabalhar com o resto do elenco foi muito agradável. Adoro a Ashleigh, é incrivelmente talentosa, a quem devem estar atentos pois imagino que dará muito que falar. Todos na série foram muito porreiros.

 

O que é que “NOS4A2” tem de diferente para oferecer ao género horror na televisão?

De um lado temos a estória da Vic McQueen, de dramas de família e de outro lado temos a estória de Charlie Manx um forte e criativo mundo. A série tem a unicidade de misturar estes dois géneros.

 

Algumas críticas de quem já viu dos dois primeiros episódios foram negativas. Os espectadores acharam que tudo se desenrolava muito lentamente. Qual a opinião sobre os dois primeiros episódios e a temporada?

Não leio críticas, estou só feliz por fazer parte da série. Não me preocupo com as opiniões das pessoas, não está no meu controlo.

 

Haverá um momento em que o mundo de Vic irá colidir com o mundo de Charlie. Quando vamos poder ver isso?

Sim, a estória dos dois mundos anda em paralelo e depois colide. A primeira parte da temporada é mais sobre as estórias individuais, conhecerem e serem atraídos uma para a outra. A segunda parte da temporada é mais sobre quando as estórias se encontram. Não se divide bem em metades, mas vão sendo arrastados uma para o outro, cada vez mais perto, entrelaçados até colidirem.

 

Os dois primeiros episódios são muito em torno do drama. Haverá mais terror no desenvolver da estória?

O terror vai-se desenvolvendo. Cada série tem de ter um equilíbrio e todas as novas séries têm de o encontrar. É um processo, demora tempo. Tem de se dar a conhecer as personagens, os cenários, criar dinâmicas para que a audiência perceba o que está a acontecer. Só vi o primeiro episódio. Não gosto de assistir ao que fiz, faço o meu trabalho e depois coloco para que o todos possam ver. Mas sei por ler os guiões e trabalhar na série que o terror se desenvolve e que Vic é despertada para o terror cada vez que atravessa a ponte, ela vai atravessar a ponte mais frequentemente e cada vez que o faz liga-se a Charlie, por isso, podem ver mais do Charlie e do terror do seu mundo no desenvolver da estória.

 

Tiveram vários diretores na série. Há diferenças de estilo em trabalhar com uns e outros diretores em diferentes episódios?

Penso que tivemos seis diretores para dez episódios. Quando trabalhamos em televisão são mais os produtores que coordenam e lideram a série. A Jami era a chefe. Todos têm a sua energia por isso trabalhar com um diretor é um experiência diferente de trabalhar com outro. Por vezes tens mais afinidade e linguagem comum com um diretor mais do que com outro mas é aí que a Jami entra para ser a cola que une todos. E nós atores acabamos por conhecer, por vezes, mais as personagens do que os diretores que entram para um ou dois episódios por isso torna-se uma comunicação sobre o que achamos importante manter e a maior parte dos realizadores de televisão são compreensivos relativamente a isso. Tentei ser o mais disponível possível para os diretores, conhecê-los um pouco antes de começarmos a gravar, é um importante processo em televisão.

 

Está nos seus planos ser diretor de alguma série ou filme?

Adorava fazê-lo! Não tenho ainda planos para o fazer ainda mas adorava. Acho que é preciso encontrar a estória certa e sentirmo-nos conectados e inspirados pelo projeto certo. Mas estou aberto a isso. Estou numa fase da minha carreira em que gostava de entrar noutras experiências, além da representação e adorava experimentar.

 

Talvez tornar-se um diretor de séries?

Talvez, é um trabalho duro. Gosto da flexibilidade que vem com outros aspetos, ser diretor se calhar seria melhor para o meu estilo de vida mas não sei.

 

Podes saber mais sobre Zachary Quinto na Mais Superior, aqui.

 

 

[Fotos e vídeo: Divulgação/AMC]

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