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Call of Duty: WWII. Regresso às origens

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É um dos principais franchises do género first-person shooter, e está de volta ao tema da Segunda Guerra Mundial. Num momento em que Call of Duty entrava em declínio e precisava de um jogo que voltasse a cativar os fãs, WWII consegue devolver a série à sua boa forma, não pelas novidades que (não) introduz, mas pela grande qualidade de tudo o que coloca à disposição dos jogadores. Tal como na guerra, este pode ser o momento de viragem.

Já lá vão nove anos desde o último Call of Duty passado durante a Segunda Guerra Mundial. Daí para cá têm sido os universos futuristas de Modern Warfare, Black Ops, Ghosts, Advanced Warfare e Infinite Warfare a tomar conta da série, dos quais boa parte dos jogadores já começava a dar sinais de cansaço. Com pelo menos um título novo a cada ano, Call of Duty é um daqueles franchises ao qual já faltava alguma frescura e originalidade. Para onde ir, então?

Talvez a Sledgehammer Games – estúdio responsável pelo jogo de 2017 – tenha jogado pelo seguro, com um regresso às origens. Call of Duty: WWII volta a ser Call of Duty vintage, em plena Segunda Grande Guerra, tal como os jogos originais. E quando voltamos aos locais onde já estivemos antes, talvez seja difícil pedir grandes novidades. E de todas as coisas que esta versão de CoD faz bem – que são muitas –, inovar não é uma delas.

Com o espaço, os duplos saltos e o andar nas paredes postos de parte, Call of Duty: WWII regressa aos mais simples elementos que compõem os first-person shooters. Modelos de armas conhecidos de todos, mapas históricos e representativos de grandes batalhas, movimentos clássicos e humanos dos personagens. Nos modos de jogo, também não há nada de particularmente novo: Campanha, Multiplayer e Zombies. E se não existem grandes novidades, a verdade é que quase tudo o que este jogo faz, faz bem.

A campanha
No modo Campanha esperam-te mais seis ou sete intensas horas de jogo, divididas em onze missões que têm início no Dia D e terminam nos meses finais da guerra. A narrativa é próxima daquela de filmes como O Resgate do Soldado Ryan ou de séries como Irmãos de Armas, e o objetivo final da história é precisamente o salvamento de um companheiro. Pelo meio, vais pilotar aviões, conduzir tanques e outros veículos, e identificar algumas mudanças ao que estavas habituado: A tua saúde já não se regenera automaticamente e vais precisar de encontrar o médico da tua equipa para teres acesso àquele medkit por que tanto anseias. A mesma lógica se aplica às munições e à capacidade de identificar e marcar inimigos no mapa. Depois de utilizares uma destas habilidades, ela ficará indisponível durante algum tempo, tempo esse que diminui à medida que fores eliminando inimigos.
Tudo somado, as horas de jogo que há para jogar são diversificadas e contribuem para uma experiência rica e, em certos momentos, memorável.

O multiplayer
O modo multijogador conta com uma dezena de mapas espalhados por vários pontos da Europa, e é neles que terás de mostrar os teus skills, agora órfãos de toda a tecnologia presente nos jogos anteriores, e que tornavam o gameplay muito mais vertical. Agora tudo é mais despido, o que de certa forma torna tudo mais acessível para quem está a começar, e diminui o hiato competitivo entre os jogadores de nível 1 e a malta que já vai no segundo Prestige.
Antes de começares é-te dada a escolher uma de cinco divisões, cada uma delas com acesso a habilidades específicas à medida que fores progredindo e subindo de nível, à boa maneira de Call of Duty. Nota para a remoção por completo dos Perks, que foram substituídos por treinos – modificadores mais modestos do que os Perks – e que só são ativados um de cada vez.
Para além dos tradicionais Team Deathmatch, Hardpoint, Domination, Capture the Flag, etc., há uma novidade. Chama-se War, atribui a cada fação determinados objetivos – ao estilo de uma missão no modo Campanha – e puxa pelo trabalho de equipa. Só peca pela pouca quantidade de mapas disponíveis.
Por fim, existe agora também um hub a fazer lembrar a Tower de Destiny, chamado Headquarters, onde podes ver o teu correio, aceitar missões secundárias e assinar contratos de prestação de serviços, tudo a troco de mais XP e de Supply Drops.

Mais zombies!
O terceiro grande modo de jogo é, novamente, os Zombies. Desta vez, Nazi Zombies! O ator David Tennant lidera o pelotão, acompanhado por Ving Rhames, Kathryn Winnick, Elodie Yung e Udo Kier, enviado para recuperar peças de arte roubadas pelos nazis durante a guerra. Esse objetivo é interrompido quando aparecem os mortos-vivos, e a partir daí a essência é a mesma: defenderes-te de hordas cada vez maiores de zombies (até bosses existem), enquanto completas objetivos e tentas descobrir os muitos segredos escondidos. É o melhor modo de zombies de sempre, graças a um excelente design de mapas e à possibilidade de evoluíres a tua personagem e de criares a tua classe, com arma e equipamento próprios.

Gráficos e Som
Os gráficos de Call of Duty: WWII são muito bons, sobretudo se jogares numa PlayStation 4 Pro com uma televisão 4K com HDR. A qualidade de alguns pormenores é capaz de te deixar especado a olhar para o ecrã. O som também está em linha com o que seria de esperar num Call of Duty, e a banda sonora cumpre a função de adensar a tensão presente nas missões.

Notas finais
Se WWII é o melhor Call of Duty de sempre? Difícil dizer, sobretudo quando nos lembramos de Call of Duty 2, ou do primeiro e segundo Modern Warfare. Mas é sem dúvida uma muito bem-vinda quebra na monotonia dos títulos dos últimos anos, e um regresso às origens que é tudo menos um retrocesso. Não sabemos o que vai acontecer daqui para a frente, mas este poderá ficar na história como o jogo que revigorou a série.

[Texto: Tiago Belim]

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