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A Tua Revista

O novo “hub” da Europa

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A partir de hoje, Lisboa recebe a Web Summit, considerada a melhor conferência de tecnologia do mundo, e que vem reforçar o crescimento do empreendedorismo e da inovação no nosso país. Explicamos-te o que é, afinal, este evento, e fazemos um retrato ao movimento empreendedor que está a fazer de Portugal o novo “hub” da Europa.

Portugal é, cada vez mais, um país de empreendedores. Gente apostada em criar o seu próprio negócio e em fazer vingar a sua ideia, potenciada pela rede de incubadoras de empresas que continua a crescer, e pelos incentivos que chegam das mais variadas formas – concursos, linhas de financiamento, apoios, mentoria, promoção e regulação.

Este é um movimento que está a crescer. As notícias que todos os dias te chegam sobre empreendedorismo refletem a atitude dos portugueses, que só no ano de 2015 criaram quase 38 mil novas empresas e outras organizações. De acordo com o estudo O Empreendedorismo em Portugal, da Informa D&B, há 47 mil empreendedores por ano; destes, quase dois terços arriscam a sua primeira experiência como empresários, e 76% assumem a gerência da empresa que criaram.
A importância deste movimento para a economia do país é cada vez maior, com benefícios para a inovação, para a renovação do tecido empresarial e para a criação de emprego (18% do total anual, e 46% quando olhamos para as empresas com menos de cinco anos), sendo que o empreendedor é alguém que acrescenta ainda a capacidade de atrair investimento estrangeiro.

Empreender também implica arriscar, o que significa que nem todas as ideias serão bem aceites pelo mercado, nem todas as empresas conseguirão subsistir. Segundo o trabalho da Informa D&B, duas em cada três empresas sobrevivem ao primeiro ano de atividade, uma em cada duas chegam ao fim do terceiro ano, e quatro em cada dez ultrapassam a idade adulta, sobrevivendo ao quinto ano.

O impacto no exterior
Para além do efeito que esta vaga empreendedora produz no nosso país, as startups também têm demonstrado um peso importante nas exportações, ou não fosse a orientação para o mercado global uma das principais características dos empreendedores.
Ainda de acordo com o estudo O Empreendedorismo em Portugal da Informa D&B, a percentagem de startups exportadoras tem vindo a aumentar nos últimos anos – de 7,1% em 2008 para 10,1% em 2014. Para estas novas empresas o cliente é o mundo, e isso reflete-se no seu volume de negócios, do qual 63% se encontra fora de Portugal.

As startups portuguesas estão a captar as atenções do estrangeiro, e não só ao nível do cliente. São também os investidores quem está a apostar cada vez mais nestas empresas, como comprovam as mais de 1800 sociedades criadas com controlo estrangeiro de capital, ao longo dos últimos cinco anos. Destas, 434 são startups.

Porquê o empreendedorismo?
Os portugueses têm vontade de empreender. A Amway conduziu um estudo cujo resultado aponta para 57% da população com uma atitude positiva perante a criação do próprio emprego. O potencial para empreender também existe, para 39% dos inquiridos, e esse circunscrevermos estes resultados à faixa etária até aos 35 anos, os valores sobem para 61% e 45%, respetivamente.
Quanto às motivações, elas dividem-se entre a vontade de serem o seu próprio chefe (45%), o regresso ao mercado de trabalho e a autorrealização (ambas com 30%), a obtenção de uma segunda fonte de rendimento (15%) e a conciliação entre o trabalho e a família (13%).
Existiu ainda, na opinião de Artur Alves Pereira, Assessor da Administração da AICEP, “a oportunidade gerada pela crise financeira”. Do seu ponto de vista, em Portugal as pessoas “prepararam-se e motivaram-se para ir à luta, e muita gente decidiu continuar a apostar nos seus conhecimentos e a desenvolver projetos – que é o caso dos empreendedores”. A crise obrigou também os nossos empresários “a começar a sentir a necessidade de olhar para fora, e isso motivou uma aceleração muito grande nas nossas exportações, ao ponto de representarem hoje mais de 40% do PIB”, conclui.

A salvação para todos os problemas?
Com a quantidade de notícias que hoje saem diariamente sobre projetos empreendedores, pode criar-se a falta ideia de que o empreendedorismo é a solução para todos os problemas. Mas ser empreendedor “não é para todos, nem deve ser olhado como uma solução para um problema”, na opinião de Artur Alves Pereira.
Empreender está no ADN dos portugueses, e fazê-lo é correr riscos e aceitar que as coisas podem não correr bem. De acordo com este responsável da AICEP, “é um processo de aprendizagem, e se não correr bem à primeira, há que tentar uma segunda ou uma terceira vez. Essa é uma característica única dos empreendedores: não desistem, e têm a capacidade de olhar para a frente”, num conselho direcionado aos 70% dos inquiridos no estudo Global Entrepreneurship Report da Amway que alegam o medo de fracassar como a principal razão para não avançarem com a criação de um negócio.
Como pode um empreendedor reduzir as probabilidades de insucesso? “Através da procura de ajuda, do diálogo com as incubadoras de empresas (que têm muita experiência com novos negócios), no fundo, de tentar aprender com quem já fez”, conclui o Assessor da Administração da AICEP.

O interesse da comunidade empreendedora mundial
O empreendedorismo em Portugal tem sido uma aposta de vários agentes, das incubadoras e aceleradoras de empresas, às associações dedicadas ao ramo, até ao próprio Governo, que lançou recentemente um conjunto de medidas de apoio ao empreendedorismo, sob a designação Startup Portugal. A concertação de esforços e o bom trabalho realizado têm conduzido a resultados – e a notícias – cada vez melhores, e o reflexo disso é o elevado número de empresas estrangeiras que ocupam hoje cerca de 70 a 80% dos programas de aceleração existentes em Portugal.
Tudo isto tem criado, na opinião de Artur Alves Pereira, “um momentum que é imparável, e que é a razão para que hoje em dia o empreendedorismo seja falado em todo o lado”.

A Web Summit
É muito provável que já tenhas ouvido falar nesta conferência, que é talvez a maior a nível mundial, no que a tecnologia diz respeito. Começou com 400 participantes em 2010, em 2014 já tinha 20 mil, e em 2015 duplicou o número de presenças para as 40 mil.
A Web Summit tem também a particularidade de não se focar apenas em tecnologia, e aplica-a a todos os setores de atividade. Do clássico dos smartphones e dos tablets, à parte da tecnologia associada ao design, ao desporto, à música, à moda, à indústria pesada, à robótica, à agricultura, à aeronáutica, ao setor automóvel… Diz respeito à tecnologia e a todas as áreas de atividade, e isso é o que a diferencia de todas as outras conferências.

Em 2016, a Web Summit aterra em Lisboa – já agora, são esperadas 55 mil pessoas – para o primeiro de três anos de evento na nossa capital:
7 de novembro – Conjunto de fóruns que vão juntar chefes de estado, edis e presidentes de grandes empresas tecnológicas, para a discussão de temas ligados à área da tecnologia;
8 a 10 de novembro – A Web Summit estará na FIL e na Meo Arena (onde estará situado o palco do Center Stage), e os participantes terão a oportunidade de assistir a conferências em cerca de 20 palcos diferentes, onde cada palco corresponde a um tema. Em paralelo, serão centenas as startups espalhadas pelos pavilhões da FIL, para além de todas as grandes empresas que estarão a promover os seus produtos e serviços, através de ativações de marca.

Presentes estarão também milhares de investidores à procura das melhores startups entre as cerca de 2500 que vão preencher os pavilhões da FIL, provenientes de mais de 150 países – dessas, entre 80 e 90 serão portuguesas. Nas palavras de Artur Alves Pereira, vão existir muitos pitches, trocas de impressões, networking, parcerias e promessas de investimento: “Estive na Web Summit em 2015, e o que eu posso dizer é que, para os empreendedores, para os investidores, e mesmo para quem seja um mero curioso pelo setor das tecnologias, são dias de uma enorme azáfama. Há interessados de toda a parte nas startups que lá estão, e é uma cena verdadeiramente impressionante. É por causa de toda a interação, de toda a conversa, de toda a troca de contactos, que as coisas acontecem. O engagement é fantástico”.

A importância da Web Summit para Portugal
Tentámos perceber quais as razões para tanto alarido em torno de uma conferência. A AICEP é uma das entidades envolvidas neste processo desde a fase de candidatura, e não tem dúvidas do impacto que este evento vai ter para o tecido empresarial nacional. Artur Alves Pereira aponta, desde logo, “a quantidade e a qualidade dos investidores que vão estar em Portugal, durante uma semana, para ver o que de melhor se faz por cá, para ver o nosso país e para conhecer o ecossistema”. A visibilidade dada a Lisboa e a Portugal será “extraordinária” e vai dar origem a “uma bola de neve que nunca mais vai parar, até porque a Web Summit será apenas o início”, com “repercussões ao longo dos dias e semanas seguintes, na imprensa nacional e internacional”, sustenta.
“A Uber”, acrescenta, “recebeu o seu primeiro financiamento – de cerca de 30 milhões de dólares – em 2011 e porque esteve na Web Summit, participou na Night Summit e falou com muitos investidores, e aproveitou ao máximo tudo o que o evento potencia”. Hoje é uma das maiores empresas mundiais na sua área, o que traduz a importância que este evento pode ter para as hipóteses de sucesso de uma startup.

A presença dos maiores investidores e o volume de negócios
A Web Summit é capaz de atrair os maiores investidores e as maiores empresas a nível mundial, e isso acontece porque convida estes agentes a conhecer milhares de jovens super motivados, com projetos para apresentar, onde podem investir e tirar rentabilidade. Desse ponto de vista, é uma oportunidade fantástica para cada uma das startups presentes de darem a conhecer o que fazem, e falarem cara a cara com as pessoas que podem dar um impulso decisivo ao seu negócio.

Da mesma forma, o volume de negócios que resulta deste evento é muito importante para a cidade que o acolhe. Em Dublin, no ano de 2014, os 22 mil participantes na Web Summit geraram 100 milhões de euros, entre hotelaria, restauração, viagens e todos os serviços necessários para que um evento destes se concretize. Mas para além do impacto direto que a Web Summit tem na economia de um país, o mais importante (e que não é tão fácil de medir) é todo o investimento que pode surgir em consequência, e a visibilidade dada a Portugal e às suas startups.
Inclusivamente, um CEO de uma grande empresa que venha a Portugal por causa da Web Summit, que olhe para Lisboa e que decida deslocar parte das suas operações para cá, poderá ter um impacto brutal no investimento no país e no emprego.

Quanto custa estar na Web Summit?
De acordo com Artur Alves Pereira da AICEP, o valor a pagar “depende da maturidade da startup”. E concretiza: “Se for uma startup alpha, que são as mais recentes e as que à partida têm menor capacidade de financiamento, o valor para os três dias ronda os 1900 euros”.
Este valor corresponde a um investimento para que possas apresentar o teu projeto aos principais investidores mundiais, e por isso precisas de:
– Acreditar no teu projeto e no que estás a fazer;
– Encarar o valor a pagar como um investimento;
– Esquecer a ideia de “montar a barraca” e ficar à espera que te venham bater à porta. Inscreve-te, prepara as tuas coisas e o teu pitch;
– Pegar na app da Web Summit, começar a avaliar quais os investidores a contactar, e enviar-lhes mensagens para marcar reuniões presenciais;
– Chegar ao final dos três dias completamente de rastos, rouco e muito feliz.

Captar investimento e aumentar o turismo
A Web Summit mudou-se para Lisboa durante pelo menos três anos, muito por culpa das infraestruturas da cidade, que permitem que o evento possa crescer cada vez mais, e ao nosso ecossistema, que está cada vez mais pujante, com startups fantásticas. É a fórmula perfeita.
Da parte das entidades e do Governo portugueses, o objetivo é proporcionar uma grande visibilidade à cidade e ao país durante a semana do evento, e aproveitar todos os ecos que daí virão. Para além disso, a AICEP tem como propósito “aproveitar o contacto direto com grandes investidores e CEO’s de grandes empresas para tentar convencê-los a investir em Portugal. Resumindo, dar visibilidade ao ecossistema e ao país, captar investimento e aumentar o turismo”, conclui Artur Alves Pereira.
Se o sucesso se confirmar, quem sabe se o Web Summit não poderá tornar-se num evento exclusivo da cidade de Lisboa?

As atividades na Web Summit
Há muita coisa a acontecer em paralelo à Web Summit, e serão muitas as atividades ao longo da semana do evento. Fazem parte do programa oficial as seguintes:
A Festa de Inauguração da Web Summit, no dia 7 de novembro;
O Venture Summit, um cocktail entre investidores e startups para networking, no dia 7 de novembro;
As Night Summits, onde empreendedores portugueses levam investidores e speakers em grupos, para conhecer a noite lisboeta – os chamados Pub Crawls;
Jantares de networking organizados por empresas multinacionais, para startups, investidores e oradores;
O Surf Summit, um evento aberto a decorrer nos dias 5 e 6 de novembro na Ericeira, onde podes surfar, conviver e potenciar o teu networking com investidores e empresas.

[Reportagem: Tiago Belim]

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